terça-feira, maio 31, 2005

A (Mal-Amada) Constituiçãozinha..

Bem sei que o tema já vai sendo batido demais, mas ainda assim apetece-me dizer mal...

Desde já reconheço o meu grande handicap para opinar sobre o (tão esperado por uns e agora tão mal-amado por outros,) texto fundamental da União Europeia: é que efectivamente faço parte dos, provavelmente, 120% de portugueses que não conhecem com detalhe razoável o texto da "Magna Carta" da era contemporânea.
Mas ainda assim não posso deixar de me regozijar com o resultado do referendo francês (escusados seriam os impactos negativos nos mercados financeiros, mas para tudo há um preço). Pois bem, foi mais uma vez a França, que a princípio parece assistir sempre de forma pacífica a tudo quanto são mutações globais, mas que na verdade acaba por vir a ditar as regras ou, quanto muito, a provocar umas quantas cefaleias a quem as dita.
De facto, foram em vão os discursos pro-constituição do Senhor Professor Freitas do Amaral junto do eleitorado francês. Aquelas palavras calorosas do Senhor Ministro, especialmente vocacionadas para as centenas de milhares de emigrantes portugueses "lá na França" (do tipo, com a Constituição as deslocações dos trabalhadores no mês Agosto à sua Aldeia Natal estão muito mais facilitadas: vote a favor da constituição e tenha um bom verão!!), caíram em saco roto. Calhando, o Senhor Professor teria feito melhor em guardar as suas sábias lições - que nisso é realmente bom - e aproveitava para elucidar o seu povo sobre esse fantasma que vai a referendo entretanto (sim, porque nem o "não" francês abortou a ideia de referendo). Pelo menos eu ouvi-las-ia com bastante apreço, pois até à data ainda não consegui perceber um determinado número de fenómenos que caracterizam este neo-federalismo encapotado.

Segundo algumas memórias básicas que ainda guardo das aulas de Direito Constitucional, uma Constituição é o instrumento, por excelência, ao serviço de um estado soberano. Pode também servir como texto fundamental e orientador de um conjuntos de estados federados, mas mais do que isso não me parece. Por isso mesmo este "processo constitucional" é tão estranho aos olhos de tanta gente, já que quando se fala em federalismo surgem logo umas vozes que dizem "que horror, jamais, a soberania dos 25 é para ser mantida", mas na prática, ainda que pela porta do cavalo, é a isso que estão a conduzir todos aqueles que já votaram sim, como aconteceu em Espanha e na Alemanha.

Ou seja, mesmo sem conhecer os meandros da projectada Constituição, discordo em absoluto com a ideia de uma "Constituição para todos" e com os modos como o produto tem sido vendido. Desde logo a começar pelo nome "Tratado", para tentar obviar à categorização de texto fundamental que o termo "Constituição" em si carrega, quando é inegável que esse Tratado é materialmente constitucional. Senhores políticos, abram o jogo, digam o que querem, então depois referendem tudo e mais alguma coisa, mas não contem com os portugueses para jogar no escuro, pois como disse o LTN, e muito bem, o povo é tudo menos burro!!

segunda-feira, maio 30, 2005

Where there's a will, there's a way

Histerismos

Só Ana Gomes para escrever este esterco.

Sofre do típico sindrome de quem anda lá por fora e acha que tem uma qualquer superioridade moral para vir dar lições aos "idiotas" deste cantinho à beira mar plantado.

No timbre do seu histerismo habitual, vem-nos informar que quem votou contra a Constituição Giscard foram apenas os extremistas, os vingativos e ressabiados, os xenófobos e os demagogos. É de lamentar. Há muito que a defendo que Ana Gomes precisa de menos palco e mais Prozac.

O bom senso para Ana Gomes seria votar sim. Não percebeu que pessoas com bastante mais arcaboiço político do que ela já tentaram esta conversa da treta, a começar por Chirac, tendo dado no resultado que se viu.

A senhora não percebe que se há coisa que o povo não é, é burro. Não foi burro na fundação de Portugal, não foi burro quando deu o sangue pelo mestre de Avis, não se enganou em 1640, não teve problemas em perceber em 2002 que gente como ela, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso não podiam governar, não se enganaram os militantes do PS quando no último Congresso lhe deram um monumental chuto no sítio onde as costas mudam de nome.

O povo francês sabe que não sabe. Ninguém sabe as consequência a longo prazo daquele tijolo que os eurocratas nos queriam vender. E se é para passar cheques em branco, nós portugueses bem podemos ceder aos franceses os direitos de autor do nosso Zé Povinho e emprestar o nosso tradicional manguito.

Tivesse Ana Gomes estudado história e saberia o que é a lição de Bismark. Tivesse Ana Gomes reflectdo melhor sobre o que estava em causa e sairia um pouco do ambiente de cházinho na Grand Place de Bruxelas e tertúlias com os colegas do Parlamento Europeu para recolocar os pés na terra.

Porque defendo a Europa e acredito na Europa... Constituição Europeia NUNCA!

sexta-feira, maio 27, 2005

Pois é mas...

Felizmente há mais coisas no MTV, que fazem as células pular de estímulo até altas horas...

Gostava de saber...

... quem foi o génio matemático que chegou à conclusão que o homem, em média, demora apenas um minuto para, num W.C. inserido num estabelecimento público cujos gerentes/administradores tenham optado pelo método de iluminação luzes-que-se-acendem-automaticamente-quando-se-entra, chegar ao respectivo recipiente, fazer o que se tem a fazer, ir até ao lavatório, lavar as mãos, e olhar ao espelho? É que os homens que têm o azar de ter uma bexiga com uma capacidade de retenção semelhante à bossa de um dromedário, como eu, acabam inevitavelmente por completar a fase dois do processo (fazer o que se tem a fazer) no escuro e às escuras, o que não é muito agradável (apesar de que practice makes perfect). Não se tratará de uma clara discriminação/violação dos direitos dos Homens com Bexigas com Grande Capacidade de Retenção, um atentado à sua dignidade e liberdade de fazerem o que têm que fazer nas mesmas condições que os restantes homens?
Elaborem-se requerimentos para o Sr. Provedor da Justiça. Que venha a Mary Robinson e o Xanana. Convoque-se a DECO e o Francisco Ferreira. E, se Deus quiser, que o Dr. Sá Fernandes embargue todos os urinóis deste país até haver igualdade entre os homens.
Isto não fica por aqui.

Joe e a Estagiária

Preparava-me para ir para a cama quando, atraído pela suma preguiça de não ter pachorra de despir-me, lavar os dentes, ler um capítulo de um qualquer livro antes de ir dormir, espojei-me no sofá da sala para descansar as poucas células cerebrais que ainda por aqui coabitam (as refugiadas que vão sendo despachadas de um canto para o outro dos hemisférios à medida que assistem, horrorizadas, à chacina das suas companheiras - Guterres, isto vai ser mais complicado do que parece) através da actividade que melhor serve esse propósito - olhar para a televisão e, mais especificamente, para um qualquer canal de música.
Sim, olhar, porque ver requer atenção. Quando as tais células se apercebem do símbolo "MTV" ou "VH1" no canto superior esquerdo do ecrã agarram imediatamente no seu saco-cama ou, com sorte, aproveitam-se da primeira cama de rede que houver nas redondezas, esticam as perninhas e regozijam-se: "eh pá, porreiro, já não vão precisar mais de mim hoje."
Algo correu mal ontem, deve haver alguma célula novata/estagiária que está numa de mostrar trabalho, o que certamente irá criar mau ambiente entre as outras, porque às tantas dei por mim a pensar.
Era um clássico do Joe Cocker, na VH1, "Unchain my heart", um sucesso em qualquer bar de karaoke para quem tenha voz de bagaço semelhante à do dito cujo. Um videoclip como qualquer outro, mas talvez devido à falta de miúdas semi-despidas e de efeitos especiais despropositadamente brutais, e à presença taciturna constante de Mr. Cocker, dei por mim a filosofar sobre a letra da música:
"Unchain my heart/baby let me be/Unchain my heart/ cause you don't care about me"
Mas fará algum sentido? A sério, logicamente, fará algum sentido? Suponhamos que quando Joe escreveu esta canção, em meados da Idade do Bronze, estava a sofrer um desgosto amoroso devido a um amor não correspondido. Na sua opinião, ela não queria nem saber dele. Ora tendo conhecimento deste facto - ele dá-o como certo, até quis partilhá-lo com o mundo - não deveria o seu coração estar já "unchained"? Se ela estivesse no vai-não-vai, ai Joe, e tal, não sei, gosto de ti, mas não sei se consigo assumir um compromisso, além disso todo esse bagaço dá-te cabo do hálito e não consigo nem chegar-me perto de ti quanto mais beijar-te, aí eu percebia, mas ela está-se nas tintas para ti, Joe! Não há dúvidas! Partiu para outro/a! Logo, das duas uma: (i) ou escrevias uma canção melosa para tentar reconquistá-la ou (ii) ias à tua vida e arranjavas outra. Facto é que já não há hipóteses de o teu coração vir a ser "unchained", porque se por um lado ela deu-te a chave quando te pôs os patins, tanto a corrente como o cadeado já devem ter sido remetidos para outra paragem há muito tempo.
É provável que Mr. Cocker não tenha pensado no absurdo do seu raciocínio. É provável que, se o tivesse feito, a letra teria sido um desastre, que "Unchain my Heart" nunca seria um sucesso comercial a nível mundial e que ele hoje trabalharia numa repartição das Finanças na Fontes Pereira de Melo, amedontrando os clientes com os seus rugidos regados a Licor Beirão. É provável que ele tenha reconquistado a mulher que OUTRORA lhe aprisionara o coração. E é provável que, no próximo Grande Massacre das Células Cerebrais, a idiota da estagiária que me pôs a pensar nisto seja a primeira vítima.

terça-feira, maio 24, 2005

Pretty fly for a suburban guy

Por aqui, fala-se do salto existencial que é ir levar o lixo à rua de pijama. E há o correspondente hiperbólico de ir ao hipermercado de fato de treino (de preferência multicolor e comprado durante a década de oitenta) aos domingos. Mais do que dar um salto existencial, para isto é preciso redimensionar toda uma existência, quiçá, nascer de novo.

segunda-feira, maio 23, 2005

Alívio

Temo sempre pelos homens da minha família quando o Benfica joga em encontros decisivos. E, acima de tudo, quando ganham. (Ou, pelo menos, quando a soma dos pontos representa uma vitória.) A comoção é mais que muita. Não são simples adeptos. É patológico. Ontem, quase não sobreviveram à vitória do Benfica. No fundo, nunca esperaram tanto. Eu, que andava por lá "a medir a tensão", fiquei aliviada por ninguém ter tido um enfarte e fui dormir.

Long life to geraldo!!!

O Geraldo fez anos! Parabéns a todos os que para ele contribuem e, em especial, ao LTN.

Festa II

O Rodrigo foi um dos fiéis adeptos da Jordan-Toyota que comemorou efusivamente o 13.º lugar de Tiago Monteiro no Grande Prémio do Mónaco. Acabei de descobrir que daqui a nove meses vou ter muitos sobrinhos!

Festa

Ontem foi um dia memorável para o desporto português. Naquele que é considerado o circuito mais exigente do actual campeonato do mundo de Fórmula 1, Tiago Monteiro conseguiu, na sua época de estreia, terminar a corrida num honroso 13.º lugar. Este feito não foi esquecido e as ruas de Lisboa encheram-se de milhares de adeptos trajados a rigor com as cores da Jordan-Toyota. Até parecia que o Benfica tinha ganho o campeonato...

domingo, maio 22, 2005

Geraldo sem Pavor

Parabéns ao Geraldo Sem Pavor! LOL

quinta-feira, maio 19, 2005

Eu ontem adormeci assim...



e podia ter sido assim...

As good as it gets II

Descobri este extraordinário blog...
(via Bichos Carpinteiros)

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quarta-feira, maio 18, 2005

Contagem Decrescente

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Está quase, quase a estrear o último filme da sequela que é, na verdade, uma prequela.
Tenho grandes expectativas. Depois de ler isto, aumentaram exponencialmente.
Há os Trekies (Star Trek junkies) e, embora não exista nomenclatura oficial, os Waries (Star Wars Junkies). Pertenço ao segundo grupo.
Há quem critique a visão algo maniqueísta do mundo que se apresenta nos filmes. Não, não são o Blade Runner nem o 2001- Odisseia no Espaço. Nem pretendem ser. São entretenimento puro e duro, para durar gerações e render milhões em merchandising.
Miniaturas de Ewoks, do R2, do Yoda, do Darth Vader.
Ok, a qualidade interpretativa nem sempre é a melhor e o Ataque dos Clones ficou um pouco aquém do desejado. Hayden Christensen é uma carinha laroca (muito laroca indeed) mas tem a densidade dramática de uma rã. Não faz mal, estava lá o Yoda (sempre a voz do Frank Oz) e o Samuel L. Jackson e o Ewan Macgregor para segurarem o filme. Mas, ainda que nenhum dos filmes da série tenha momentos de qualidade interpretativa para garantir óscares, está lá o mais importante, a visão de Lucas. Sempre a visão de Lucas.
E é essa visão que faz milhões de pessoas acorrerem ao cinema para verem um filme quando já conhecem bem o final da história, quando já sabem quem é que passa para o outro lado, quem é filho de quem, quem morre e quem vive. Porque a visão de Lucas é, mais do que uma máquina de fazer dinheiro imparável, única.
The Revenge of the Sith é o último dos seis filmes. Em bom rigor, é o terceiro. E, segundo alguns, o melhor. Depois disto não há grande espaço para mais sequelas e prequelas.
Promete-se adenda a este post após o visionamento do filme.
Para terminar, sneak preview, via New York Times sobre um dos diálogos:
Darth Vader: “If you’re not with me, you are my enemy”
Obi-wan : "Only a Sith thinks in absolutes."
Acho que vou começar a referir-me “carinhosamente” ao líder do mundo livre como George Sith Bush...

terça-feira, maio 17, 2005

Paraíso dos Procrastinadores

- Já entregaste o IVA?
- Não. Temos até ao final do mês.
- E o IRS? Olha que o prazo é hoje.
- Não é nada. Foi prorrogado.
- A sério?
- Até dia 25.
- Então, dia 24 por volta das 23:45 lá nos encontramos para preencher a declaração?
- Combinado!

Já dizia o outro que há duas coisas certas na vida: a morte e os impostos.
Em Portugal, há mais outra: a prorrogação dos prazos.
Ou não sofrêssemos todos da patologia da procrastinação...

As good as it gets I

Rititi convertida em livro!!!!

segunda-feira, maio 16, 2005

Frustração

Pensava que o reaça preferido da INF, era eu...

sexta-feira, maio 13, 2005

Estados de Graça, Parabenizações e Apelos

O estado em que se encontra este blog é bom e recomenda-se.



Oxalá todos os estados fossem estes...

Parabéns aos meninos do Quinto e em especial ao Francis, o meu reaça preferido, e o responsável pela minha iniciação nestas lides...

Um apelo ao Luís, para que continue...

Sentido de oportunidade

Muitos Parabéns...

...ao No Quinto dos Impérios pelo seu 2.º ano em Postas.
Não só é o 1.º da minha lista de favoritos como foi o blogue que 1.º me chamou a atenção para a blogoesfera, através do meu caríssimo e sempre inspirado amigo FMS.
Muitas e boas postas enquanto aguardamos que a profecia do 5.º Império se realize, com a brevidade possível!

Plágio involuntário (ao melhor estilo de Gomes da Silva)

A vida de um "cronista virtual" é injusta. Um gajo acorda cheio de boas intenções, cheio de ideias peregrinas para desenvolver e, quando encontra um título catita para divulgar uma notícia qualquer, descobre que esse título já tinha sido usado por outra pessoa para o mesmo fim.
Ao "Blasfémias", as minhas desculpas! Já tentei lembrar-me de outra célebre expressão do "Palmelão" que pudesse servir de título, mas confesso que não me ocorre nenhuma...

Problema de expressão.

O pároco Domingos Oliveira errou.
De facto matar um criança no seio materno não é mais grave que assassinar uma menina de 5 anos.
São, na verdade, actos equivalentes.
As vidas não se pesam, nem se medem.

Razão vs Razoabilidade

Independentemente da razão que o Senhor Padre Domingos Oliveira poderá ter na questão que a minha amiga INF expôs infra, a verdade é que teria sido mais razoável não ter emitido a sua opinião durante a celebração da missa pela alma da criança. Foi no mínimo uma demonstração de mau gosto e um péssimo juízo de oportunidade.
A Igreja é feita por homens e por isso mesmo fecunda em erros. Paradoxalmente ou não, é aí que reside a sua força, uma vez que a misericórdia divina é infinita e o culto do perdão - e não do pecado como muitos gostam de pensar - é uma pedra basilar da Igreja.
Mesmo assim, INF compreendo a tua consternação.
Às vezes não basta ter razão, é preciso ser-se razoável.

Vocês sabem do que estou a falar!

Há 89 anos atrás...

Nossa Senhora resolveu visitar um vilarejo nesta terra à beira mar plantada.



Nossa Senhora do Rosário de Fátima,
Salvai-nos, salvai Portugal e o Mundo inteiro.

O Argumento que faltava para quê?

A tua opinião não estava já formada?

quinta-feira, maio 12, 2005

O argumento que faltava...

E, de facto, um dos mais extraordinários que me foi dado o desprazer de ler nos últimos tempos.
Passo a reproduzir a notícia do Público:

Les miserables II

Les miserables

Para não variar, acordei tarde. Perante essa fatalidade, tinha duas opções: Ou saía à pressa de casa para apanhar um autocarro, ou então não abdicava do meu café + cigarro + jornal e vinha de táxi. Optei, infelizmente, pela segunda.
Entro num táxi igual a tantos outros, com um condutor igual a tantos outros, indico o local de destino, tal como tantos outros passageiros e, ao contrário da minha habitual interacção com os profissionais desse ramo, opto por um silêncio estranho, tentando esconder o meu profundo mal-estar derivado dos duros golpes desferidos pela minha Gillette Mach 3 Sensor Excel Turbo Tri Blade e causados certamente pela pressa a que o sono profundo me obrigou.
No entanto, esta curta viagem transformou-se num pesadelo sem fim, provocado por um “diálogo”, no mínimo, sui generis. Parados no semáforo da Rua de S. Bento, com as suas intermináveis filas, o condutor “abriu o livro”:
Condutor: Isto é uma vergonha, carrinhas paradas a descarregar. Uma falta de respeito pelos outros condutores...
Eu: Pois...
Condutor: Realmente, este País está num estado miserável. Se eu tivesse mil contos para investir aqui, não investia...
Eu: Pois...
Condutor: Isto é tudo corrupto, são todos uns porcos e vocês, jovens, estão completamente “fornicados”...
Eu (apesar de odiar a expressão “jovem”): Pois...
Condutor (já rangia os dentes e deixava escapar saliva compulsivamente pelos cantos da boca): Isto só andava com uma revolução, mas uma revolução à séria, eu cortava-lhes o pescoço ali na Avenida...
Eu (completamente em pânico): Pois...
Condutor: Isto é uma injustiça. Matava-os a todos...
Eu (quase a chorar): Pois...
Chegámos ao destino e o condutor continuava a gritar e a gesticular com uma intensidade que eu nunca tinha visto. Nunca dei uma gorjeta tão grande e fiquei tão feliz por chegar ao escritório.

Início da era pós-prozac

Época de Saldos no Parque Eduardo VII? II

Os juízes acham que o artigo 175º é discriminatório, ou seja, pode vir a dar-se que actos homossexuais com putos de 14 anos não seja considerado crime.

No nosso direito penal está estabelecido que nova lei, mais favorável aos arguidos, se aplica retroactivamente.

Juntar o constitucional ao agradável ou "deixa cá ver se assim a gente se safa"?

Época de Saldos no Parque Eduardo VII?

quarta-feira, maio 11, 2005

It's a dirty job but someone's got to do it...

The man's got talent...

Talvez fosse evocando semelhante factualidade que o Tulius pensou na curiosa expressão "sexualmente hiperactivo com espiríto de coleccionador".
Reconheço-lhe a mestria, mas, ainda assim, Luís, certifica-te que o José continua nos Estados Unidos. Por cá, os passarões já são suficientes.

Pela boca morre o peixe

O jornal A Bola decidiu, na segunda-feira, a bem da ética e do desporto, não publicar declarações de dirigentes, árbitros, treinadores ou jogadores que possa conduzir à violência nos estádios ou à degradação do fenómeno desportivo.

Hoje quarta-feira, declarações de Luis Filipe Vieira ao mesmo jornal:

"Quem se meter com o Benfica leva"

Será que tem as fotos com a Julie Sargeant?

terça-feira, maio 10, 2005

Revolução Jurídica

Se José Sá Fernandes for eleito presidente da Câmara de Lisboa pode ser Réu e Autor na mesma acção!

Atraso habitual

Quem me conhece sabe que me atraso recorrentemente. Durante muito tempo fi-lo angustiado, hoje assumi que não é propriamente uma falha, é antes um excesso de diligência em tudo o que preciso fazer antes de honrar o compromisso assumido, seja passear o cão ou ver televisão.


Mas como a sabedoria popular é soberana, mais vale tarde que nunca!
Dizia a minha amiga INF que o meu igualmente amigo LTN acha que as mulheres devem ser encarceradas quando fazem um aborto...
Não sei se estas foram as suas palavras, mas gostava de acreditar que não.
Eu não sou a favor da despenalização do aborto (pronto já disse!), mas também não me considero porta-voz de nenhum grupo, comunidade, organização ou civilização, logo não me sinto legitimado para condenar ou deixar de condenar quem não concorda comigo.
Se sou a favor da penalização do aborto tal como está? Sim, sou. (agora também já ‘tá!).
Todavia, como é óbvio, não pretendo com isto dizer que as mulheres que sofrem uma interrupção voluntária da gravidez (IVG) devam ser "encarceradas"... aqui não há quereres.

Eu acredito que a IVG é um trauma tremendo para o corpo e para o espírito. No entanto, se a IVG for bem executada o corpo sofre pouco ou quase nada (não interessa aqui discutir se é assim por ser feito em Espanha ou não, é uma tolice, há clínicas a fazer IVG em Portugal tão bem como o Ibérico faz implantes mamários!), o que a qualidade da intervenção não diminui é o trauma do espírito ou, se preferirem, o trauma psicológico.
Para mim a IVG, quando precedida de um trauma psicológico (em sentido amplo, sff) cai naturalmente num dos casos que excluem a ilicitude ou a culpa previstos no Código Penal. Assim, uma senhora, rapariga ou criança que sofra uma IVG, avaliado que é o caso concreto no Tribunal, acabaria por não vir a ser propriamente condenada.
A questão torna-se, para mim, mais complicada nos casos em que, por falta de respeito pelo próprio corpo e pela fecundação ou gestação (dependendo do credo ou opinião) enquanto criadoras de vida, uma rapariga ou senhora (as crianças são inimputáveis) resolve fazer da IVG a sua forma preferencial de planeamento familiar. Aí, estou plenamente de acordo que deveriam ser condenadas. Contudo, é importante ter presente que uma condenação não implica necessariamente uma medida privativa da liberdade. A Arguida pode ser condenada em multa ou receber uma suspensão da pena privativa da liberdade, ou melhor ainda, pode ser condenada em trabalhos em prol da comunidade, por exemplo em centros de apoio à grávida ou à criança. Caso a grau de culpa seja considerado diminuto e atentas as circunstâncias, a Arguida pode mesmo receber uma simples admoestação do Tribunal.
Quanto à questão do celebérrimo cadastro, bastaria um simples requerimento para que este crime não ficasse inscrito no mesmo, com o fundamento de foro da vida privada e sujeição a um estigma completamente desnecessário para o cumprimento do fins a que o Direito Penal se propõe.
Importa falar da co-autoria, e da pobre da senhora enfermeira ou médico que executam a IVG... coitadinhos, ganham 200 ou 500 € pela maçada. Fazem-no com o mais completo desrespeito pela vida que pelo menos o segundo jurou proteger e a primeira tem pelo menos o dever de não ofender. O único objectivo dessas pessoas (sob pena da análise in casu) é obter uma vantagem patrimonial, muitas vezes colocando em risco a saúde da paciente.


Para finalizar, esta conversa toda vale o que vale, ou seja nada!Como disse em cima não represento nada nem ninguém, muitas vezes nem sequer a mim me represento, mas confesso que nesta altura do campeonato acho não se pode alterar uma lei que tanta volta tem dado na opinião publicada sem se consultar a opinião pública. Aquela que há uns anos atrás decidiu maioritariamente pelo não ou, numa clara demonstração da tolice que era modificar o que está bem... nem sequer saiu de casa ou mudou planos para votar no que quer que fosse. Segundo a minha óptica nesse referendo a resposta não foi um não, foram dois!

sexta-feira, maio 06, 2005

Causas e Consequências do alheamento futebolístico

Em tempo de vivas a uma vitória recente com projecção internacional, com direito a buzinadelas nocturnas e delírio generalizado pela blogosfera e não só, destaco-me, infelizmente alheada de tudo isto, por, prosaicamente, “não me aquecer nem me arrefecer”.
Não há passe que me fascine, não há golo que me leve ao delírio, não há clube que me mereça especial atenção (embora me tenha sido atribuído, assim que nasci, um cartão de sócia de um dos grandes...supostamente, essa discussão de quem é o maior ultrapassa-me largamente).
Sofro de uma síndrome com tendências duradouras (e sem características endémicas, tranquilizem-se) cujas causas e consequências são, grosso modo, as seguintes:
Causas,
Não estou aí para virada e sou uma confessada ignorante em matérias futebolísticas. Tenho extrema dificuldade em deslindar exactamente quantos campeonatos decorrem ao mesmo tempo. Saber de que cor são os olhos do Beckam não é suficiente para fazer de mim uma entendida. ( E ser mulher? Não, definitivamente não é uma causa. Muitas há, e LTN, GMM e AMJ conhecem uma mulher, pelo menos uma, que desmentem por completo a teoria de que as mulheres não podem ser fanáticas por futebol.)
Consequências, Enquanto toda a gente festeja eu não tenho motivos para festejar. Não tenho a desculpa para a habitual pausa de meia hora no trabalho para falar do jogo da noite anterior. Não tenho mesmo desculpa para beber uns copos a mais porque ganhei, ou, porque perdi. Não descarrego as frustrações de forma saudável aos gritos num estádio. Não posso insultar a mãe de alguém e sair impune. Nunca sei quando é fora e quando é canto. O meu estado é um estado desinteressante, enquanto uns se alegram e outros se enfurecem, eu fico anacronicamente indiferente. Não possuo o conhecimento enciclopédico e transnacional dos nomes de todos os jogadores, treinadores e equipas no activo e ainda os nomes de todos os jogadores, treinadores e equipas que já se reformaram há vinte anos . Sim, porque há quem não decore a tabuada mas saiba o plantel de todas as equipas europeias. Não posso discutir passes e transferências ao almoço e tenho que esperar que a hora dos comentários ao futebol acabe, desejando ardentemente que não comece a dos carros (com a clássica parafernália de números e de letras para identificar modelos) para poder dizer duas seguidas. Não sou invadida por sentimentos altruístas de felicidade demonstrados com grande exuberância, basicamente porque desconheço a experiência de ficar eufórica porque uns senhores quaisquer que ganham rios de dinheiro mensalmente vão ganhar ainda mais rios de dinheiro porque ganharam uma competição. Não, não sou capaz de ficar feliz pelos outros dessa maneira. Não tenho sentimentos de pertença a uma comunidade de seis milhões (ou lá quantos são os benfiquistas!) que pugnam por um mesmo objectivo. Não posso odiar, irracional e alegremente, os restantes quatro milhões. Há uma redução no potencial dos “fashion statements”, se me visto de encarnado é porque sim, o mesmo se diga do verde, do azul e do xadrez .
Bottom line, ou continuo uma marginal, ou acho que tenho de começar a gostar de futebol. Ou daí, talvez não me consiga converter a tempo da final da Taça Uefa.

Fim de tarde

Está um calor infernal. O ar condicionado do meu gabinete está avariado há cerca de um ano (dizem-me que o problema está no chiller - não faço a menor ideia do que se trata, mas a avaliar pelo nome, deve ser um problema dos diabos). Tenho a janela aberta e oiço buzinas. Se não fosse sexta-feira e as "buzinadelas" não fossem acompanhadas por insultos, achava que ainda estavam a festejar o apuramento do Sporting para a final da Taça UEFA.

Quem te avisa...

Parece que o Dr. José Sá Fernandes vai candidatar-se à Câmara Municipal de Lisboa. De forma a precaver qualquer lapso na formalização da sua candidatura, informamos que as indispensáveis assinaturas não devem ser entregues no Tribunal Administrativo e Fiscal de Lisboa.

Sporting Clube de Portugal



quinta-feira, maio 05, 2005

Paracuca é com ginguba

Recordei, quando li as Notas sobre Angola do Rodrigo, as tardes passadas a comer paracuca quando era miúda, mas desta feita, e porque não fazia dessas coisas em tempos idos, sem cerveja.
Pois, Rodrigo, paracuca é com ginguba, vulgo amendoim.
Não se trata do fruto de uma árvore africana exótica ainda por catalogar ou descobrir. É bem menos insondável.
Nothing but the plain, old, simple peanuts…
Nasci em Angola, mas desde já adianto que nunca ouvi tal explicação, essa de que a para-cuca é uma homenagem à cerveja cuca...Já se fazia e comia nos tempos da minha avó e não sei se já havia a tal cerveja.
O meu desenraizamento progressivo talvez não me permita duvidar da sabedoria dos que por ainda lá estão, mas arrisco o palpite de que a explicação tenha sido, digamos, e fazendo jus ao “joie de vivre” do angolano típico, inventada na hora...
E se lhe perguntassem se queria ginguba o que diria? Diria que sim, com certeza.
Ginguba é o mesmo que amendoim. Assim como geleira é o mesmo que frigorífico e maka é um problema e kamba é amigo.
Assim como machimbombo é o mesmo que autocarro e gindungo o mesmo, ou quase, que piri-piri.
Aqui, cautelas são necessárias para os não autóctones, o gindungo é mesmo fogo!
Também eu tenho saudades.
As minhas memórias têm cheiro e sabor.
O cheiro absolutamente inconfundível de Angola e daquela terra cor de fogo.
E o sabor da paracuca, com ginguba.

Agradecimento

Está confirmado: As férias judiciais vão ser reduzidas já a partir de 2006. A única coisa boa que consigo retirar deste anúncio, é que não preciso de comprar uma nova agenda jurídica este ano. Obrigado, Senhor Ministro!

Tantos Picos...

Meu caro LTN,

Eu próprio fiquei abismado e boquiaberto com o "tuga" que deu um ar da sua graça no filme "a intérprete" (confesso que até me ri...), mas, alheando-me ao facto de – mais uma vez – os portugueses estarem relacionados com os trabalhos mais humildes, alheando-me o facto de – mais uma vez – o português, enquanto 3ª ou 4ª língua mais falada no mundo, ser desconhecida para os EUA e a ONU e alheando-me ainda ao facto de – mais uma vez – a África “Portuguesa” ser palco de paralelismos, no mínimo, indigestos. A verdade é que, reitero alheio a tudo isso, vi n'a Intérprete uma Nicole Kidman mais charmosa do que nunca!

No mais completo estilo Nova-Iorquino, vestida de preto e branco com algumas variantes para o bege ou castanho, com calças esvoaçantes, decotes recortados por colares fashion, sobretudos onde sobretudo se destacava a sua cintura e, falando em cintura, fazia questão de se deslocar, por entre o caos automobilístico, em cima de uma vespa de mil novecentos e cinquenta-e-troca-o-passo.
E se isso não fosse o bastante, vivia numa casa (graças a Deus vivida e tudo menos minimalista) cheia de souvenirs Africanders e fotografias com qualidade para figurar numa exposição lusófona, trabalhava na ONU como intérprete, tinha tempo para ser aluna de flauta clássica – e que pulmões! – e tinha um curriculum vitae de envergonhar três quartos da AR Portuguesa...

Meu caríssimo amigo LTN, o filme não é para ter uma mensagem, é para nos dar material para sonhos... e isso, meu caro, tem TODO o interesse!

Masoquismo

Não sei bem porquê, mas ontem vi o telejornal da TVI. Ao contrário do esperado, não estava a ser muito penoso até que, a propósito do pequeno estádio do AZ Alkmaar, a intrépida, magnífica e estupenda Manuela Moura Guedes não conseguiu esconder a sua indignação e deixou escapar algo do género "uns preferem investir em estádios, outros em hospitais, etc".
Estes desabafos, muito comuns nesta apresentadora, começam a fazer mossa. Não nos Executivos visados, mas na própria TVI. Eu, ao melhor estilo moura-guedesiano, também não consigo esconder a minha indignação e não posso deixar de perguntar como é que uns preferem investir em apresentadores credíveis, rigorosos e isentos, e outros em reality-shows e programas de 3.ª ou 4.ª categoria...

Reforço de última hora

Manuel Monteiro admitiu apoiar Carmona Rodrigues na corrida à Câmara Municipal de Lisboa. É caso para dizer que Manuel Maria Carrilho garantiu, assim, a pole-position...

quarta-feira, maio 04, 2005

Notas sobre a Intérprete...



Dois actores galardoados, dirigidos por Sidney Pollack, num intenso thriller, com uma trama de conspiração internacional ao mais alto nível. O tema estava mais que batido, mas ainda assim podia ser uma revelação.

O resultado final é uma desilusão. Diálogos cheios de lugares comuns, um pseudo-romance da treta entre os protagonistas, alusões infantis aos ideais de paz no mundo, salvem as baleias, o poder do diálogo e a fé inabalável na ONU como panaceia do mundo.

Sean Penn interpreta um duro, capaz ao mesmo tempo de frases como “I´m not here to protect you!” e de chorar compulsivamente. Aliás Penn chora intensamente pela perda do irmão de Kidman que foi morto no cu de judas em África e que nunca conheceu, mas quando um dos seus agentes, um miúdo, é assassinado num atentado, em Brooklyn, enquanto investigava o caso, trata-se de uma situação normal e só lhe dá para berrar com Kidman exigindo-lhe a verdade.

Há que referir as tristes alusões ao mundo lusófono no filme. Achando que o resto do mundo é ignorante, chamam à antiga Praça de Touros Monumental de Lourenço Marques um “Soccer Stadium”. A pobre bandeira de Moçambique, onde as cenas africanas foram filmadas, serve como bandeira de Motobo, nome de um país imaginário que mais parece um jogador de basquetebol da NBA. De referir ainda que intervém um português na ONU como empregado de limpeza. Para além deste personagem ter tiques de larilas, não sabe falar inglês, como se viesse do Butão ou da Conchichina!!! Das duas uma ou o homem emigrou para lá nos anos 80 e já tinha tido mais do que tempo para aprender a língua ou então teve forçosamente que aprender inglês na escola em Portugal.
Mas é interessante como Nicole Kidman sabe falar Ku (a língua de Motobo)e fala praticamente todas as línguas europeias mas não consegue perceber nada de português. Aliás nem ela nem ninguém da ONU. Nem sei como é que perceberam os discursos do Lula e de Santana Lopes no ano passado. Sublinhe-se que Nicole Kidman é tradutora.
O mais triste é que o filme não tem argumento, não tem história, em suma, não tem interesse.

terça-feira, maio 03, 2005

Dois em um

When the time is come...
Decide-se isto.
Pois, em Julho, com um sol abrasador, ninguém se vai dar ao trabalho.
Evita-se o constrangimento de uma abstenção significativa.
Evita-se a resolução nas urnas de uma das questões mais fracturantes da sociedade portuguesa.
Recorda-me outro momento em que, chamado à colação, pela natureza das suas funções, o PR tomou o que, para muitos, foi uma má decisão.
Indigitou Santana Lopes.
Para, depois, decidir, com grande sentido de oportunidade, que devia dissolver o Parlamento.
Não vai ser neste mandato de Jorge Sampaio que a IVG vai a referendo.
Os prazos não o permitem.
Creio que é pelo melhor.
Nunca aduzi aqui argumentos contra ou a favor da despenalização do aborto. Aduzo agora. Sou a favor da despenalização do aborto.
Não concordo, acima de tudo, com a tutela penal do aborto.
Do meu ponto de vista, as mulheres não devem ser presas por praticarem um aborto.
Não serve os fins das penas, não serve os fins da sociedade.
A solução francesa é, a meu ver, a mais correcta. A Lei Veil estabelece que a mulher, ainda que pratique um aborto fora das condições legalmente previstas, nunca comete um crime.
Encarcerar, estigmatizar, sujeitar à humilhação e vexame públicos uma mulher que comete um aborto, não raro numa situação de grande angústia, e num país em que a educação sexual é uma miragem, é de uma profunda hipocrisia.
Não sou pró-aborto. Ninguém, fora dos eixos mais fundamentalistas, o é, em bom rigor.
A anos-luz do fundamentalismo irresponsável da Women on Waves e da militância pró-vida que só falta queimar as "prevaricadoras" em praça pública, que se faça o que deve ser feito.
Que se entregue a discussão à Assembleia da República, e que esta, no exercício das suas competências, promova a despenalização.
nota: No Teorema de Pitagoras cada um dos bloggers é responsável, em exclusivo, pelas suas opiniões. Da mesma forma que o post do LTN sobre o Prof. Salazar é de sua única e exclusiva responsabilidade, as minhas opiniões sobre a IVG que são, sei-o bem, muito diferentes das opiniões de LTN e GMM são também da minha exclusiva responsabilidade. Por aqui, somos todos muito diferentes, e ainda bem.
Tributo ao debate de ideias
As caixas de comments deste blog e a este post (em que também participo) andam aguerridas.
Discute-se a IVG, os Direitos Humanos e outras questões satélite.
E felizmente que assim é. Diane, Lux, LTN e GMM discutem, animada e civilizadamente, a sempre fracturante questão da Interrupção Voluntária da Gravidez.
Assisti algo placidamente, consciente da minha privilegiada, e única naquele círculo, posição de amiga de todos os interlocutores.
Escrevo aqui, mas também escrevo aqui.
Este post já não é apenas sobre a IVG. É sobre o exercício da tolerância. É sobre o salutar hábito de convivência com pessoas cujas diferenças ideológicas em relação a nós se assemelham a abismos. Mas o intransponível é uma ilusão.
Há o prazer do exercício intelectual. Há a aprendizagem .
Ler os argumentos brandidos por LTN nas caixas de comments que acima refiro não me faz mudar de opinião.
Como também nunca me fez mudar de opinião discutir incansavelmente com o LTN, o GMM, o AMJ, FPB e o JFR (e ainda o FMS, de outras paragens) esta e outras questões.
Discutir até ao limite da minhas cordas vocais aquelas questões que o LTN sobranceiramente qualifica como as bandeiras da esquerda torna os meus dias melhores. Porque aprendo alguma coisa. Porque vejo as coisas sob a perspectiva do outro. Do outro que acha que a invasão do Iraque foi justificada, do outro que acha que as mulheres devem ser encarceradas quando fazem um aborto, do outro que acha que o PSD deveria ter ganho as últimas eleições, do outro que acha que os Direitos Humanos são uma ficção criada por umas quantas cabeças de vento com t-shirts do Che e dadas a frases intelectualóides que pensam que podem mudar o mundo.
Achismos à parte, aqui fica o meu tributo ao debate de ideias.

Manual de Guerrilha

A “boa blogosfera” pode, definitivamente, afastar a “má blogosfera”. Todos nós já nos deparámos, por essa “blogosfera” fora, com posts totalmente ofensivos da ordem pública e dos bons costumes, e o nosso sentimento perante tamanha barbaridade é tal que só nos apetece aniquilar (de preferência publicamente) os seus autores. Por isso, aqui ficam os pontos fundamentais para vencer uma “contenda blogosférica”.

1. Nunca assine os posts com o seu christian name. Se o seu nome for Gonçalo, opte por um nome estrangeiro, preferencialmente de raiz anglo-saxónica, por exemplo, Gordon: Este pequeno, mas importante pormenor, provoca instantaneamente ao adversário um sentimento de inferioridade. Todavia, neste aspecto, há que observar as mais elementares tácticas de guerrilha: Nunca opte, inicialmente, pela versão siciliana ou sul-americana do seu nome. Se usar logo o nome Gonzallini ou Gonzalez, fica sujeito ao fracasso, uma vez que o adversário, por temer pela sua integridade física, nem sequer vai responder.

2. Não utilize todos os trunfos na primeira jogada: Saiba guardá-los para cada ocasião. Deste modo, em vez de destruir o adversário no primeiro post, vai-lhe dando falsas esperanças e, com isso, vai obtendo algumas respostas da sua parte. Comece por criticar, en passant, uma qualquer frase ou comentário do adversário, seja ele de que natureza for. Todavia, não se esqueça de “linkar” devidamente: Só assim, via technorati, é que tem a certeza que o adversário vai ler aquilo que escreveu.

3. Se, mesmo assim, o adversário continuar impávido e sereno, resolva dizer uma barbaridade qualquer, ou mesmo duas. Pode, por exemplo, dizer que um Filósofo que venceu o Prémio Nobel em 1964, morreu em 1905 (hipótese meramente académica). Todavia, o seu adversário pode não ser suficientemente erudito para saber quem era esse filósofo, quanto mais saber que foi Nobel (embora tenha recusado esse estatuto). Se assim for pode, já em desespero de causa, inventar um nome para uma das mais importantes praças da cidade de Lisboa: Nesse caso o adversário, por mais inculto que seja vai, finalmente, ripostar.

4. Os adversários, quando são directamente visados, têm a tendência de contestar imediatamente: Isso é um sinal evidente de fraqueza. Aproveite-se dessa fraqueza e demore bastante tempo a responder (até pode ser um fim de semana). O adversário vai sentir-se, prematuramente, vencedor da disputa, inventando uma qualquer figura do género “aceitação tácita” daquilo que escreveu. Seja paciente, deixe-o gozar temporariamente essa pseudo-vitória, escreva sobre algo que não tenha rigorosamente nada a ver com o objecto do diferendo (por exemplo, sobre o aniversário do seu canário ou bico-de-lacre) e, ao fim da tarde, aniquile-o com a sua magnífica e estupenda capacidade retórica utilizando, de preferência, alguns insultos pessoais.

5. Muita atenção aos insultos. É este aspecto que pode determinar a sua grandeza: Não recorra aos insultos fáceis; seja subtil, acuse-o, por exemplo, de cobardia (mesmo que não o conheça de parte alguma). Este insulto é eficaz e tem efeitos imediatos quando o seu adversário for do sexo masculino.

6. Nessa altura, das duas uma: Ou o adversário, desesperado, reage agressivamente (perdendo, assim, toda a razão), ou então tenta acalmar as hostes (o que deixa transparecer toda a sua fragilidade) e começa a elogiá-lo, chegando mesmo ao ridículo de dizer algo do género “não obstante esta azeda troca de palavras, continuo a “linkar” e a ler regularmente o seu Blog", ou outros disparates do género. É nesse momento que pode considerar-se legítimo vencedor, mesmo que apareça uma qualquer figura de Estado, como por exemplo o Presidente da República, tornar inútil a discussão: A vitória foi alcançada e o adversário totalmente humilhado.
7. Quando, finalmente, aniquilar toda a "blogosfera", escreva regularmente e comente os seus próprios posts.

segunda-feira, maio 02, 2005

Aconteceu hoje no taxi...



O motorista perguntou de que lado da Avenida é que eu ficava. Eu disse do lado direito. Fiquei estupefacto quando me perguntou "Sim, mas deste lado ou daquele?". Insisti "Do lado direito". O taxista dirgiu-se para a esquerda. Não tive outro remédio senão apontar com o dedo e dizer "Não, para aquele lado..." enquanto pensava "A outra direita, estúpido!". Fui derrotado...

Que é isto? Analfabetismo ou o complexo de esquerda deste país até aqui chega?

"Chico-espertices"

Recebi este e-mail hoje, que transcrevo na íntegra. É realmente extraordinário...
"Caros amigos,
Se cometerem uma infracção grave ou muito grave ao Código da Estrada...NÃO PAGUEM VOLUNTARIAMENTE. Digam ao polícia - que vai insistir convosco para pagarem logo - que preferem o Depósito. Alguns polícias mentem descaradamente ao dizerem que se não pagarem ficam sem os documentos. ISSO É MENTIRA!!!!!! Não vos retiram os documentos têm de vos passar uma guia, obrigatória por lei. Terão depois 15 dias úteis para fazerem o que acharem melhor, mas ficam com tempo para pensarem no que fazer. OPTEM SEMPRE PELO DEPÓSITO, NUNCA PELO PAGAMENTO VOLUNTÁRIO. Quem pagar fica automaticamente sem defesa. PAGAR VOLUNTARIAMENTE É O MAIOR ERRO QUE PODEM FAZER, SEJA EM SITUAÇÃO FOR. QUEM PAGA VOLUNTARIAMENTE FICA SEM POSSIBILIDADE ALGUMA DE SE DEFENDER, PORQUE ASSUMIU NESSE MOMENTO QUE ERA CULPADO. Muitos condutores têm sido pressionados a pagar com a ameaça da polícia que a multa aumenta e ficam sem documentos, etc, etc...Não é verdade, mas ninguém impede a polícia de exagerar e aproveitar a situação de debilidade do condutor no momento em que está a ser confrontado com a contra-ordenação. Se optarem pelo Depósito e pela impugnação da contra-ordenação, obrigam os serviços administrativos da DGV e os Governos Civis a ficarem entulhados de processos para responder e dar seguimento. Muitos desses processos vão prescrever. Pode ser que o vosso também prescreva. Nunca deixem de apelar e de impugnar. A Constituição Portuguesa fornece-vos esse direito. USEM-NO. Neste momento a DGV leva um mês de novo Código e já está a rebentar pelas costuras, o sistema está à beira da ruptura. DEPOSITAR E IMPUGNAR. Este é o mote para o Código da Estrada mais absurdo de sempre. Os milhões de euros que pagamos em coimas não são aplicados na melhoria das estradas e aumento da segurança das mesmas. Para onde vai esse dinheiro? Há anos que os sucessivos governos se escusam a dar esta resposta. Envie esta mensagem aos seus amigos. Eles podem estar a precisar dela neste momento".

Carnaval nas estradas portuguesas

Gostei de ver o Dr. Jorge Sampaio colaborar numa operação de fiscalização da Brigada de Trânsito da GNR. Acho mesmo que, involuntariamente, o Senhor Presidente acabou por encontrar a tão esperada solução para a sinistralidade automóvel, ao afirmar que "quando os automobilistas se apercebiam do carro da GNR, com uma câmara de televisão e o Presidente lá dentro, abrandavam e encostavam à faixa da direita". Assim, e uma vez que a intensa agenda presidencial não lhe permite acompanhar todas as referidas operações de fiscalização, sugerimos que os agentes passem a circular, ao melhor estilo carnavalesco, mascarados de Presidente. Afinal, ninguém poderá levar a mal...