segunda-feira, outubro 31, 2005

Nomes (mesmo) bons de dizer

Quando eu penso em nomes bons de dizer, lembro-me sempre dos telefonemas do Bart Simpson para o Bar do Moe:
Bart: "I would like to speak to Mr. Butts please, last name Seymoure."
Moe (shouting): "Is there a Butts in the house!?"
Moe (still shouting): "I Want a Seymoure Butts!!"
Bart: (a partir o côco a rir!!)

Samuel Alito

O Jorge desta vez nomeou um tipo com um Curriculum Vitae que agrade gregos e troianos, estudou em Princeton e em Yale, foi acessor de um Juiz Federal, Procurador Federal, depois foi para o Office of the Solicitor General (basicamente um gabinete que está encarregue de todo o contencioso federal do governo norte-americano) e depois Juiz no 3 circuit court of Appeals durante 15 anos.
Ao contrário da Harriet, ao Sammy não lhe falta experiência profissional.
Aparentemente a questão sai do âmbito da competência e entra no campo ideológico.
Parece que o Samuel defendeu a ideia que o aborto, a ser feito, precisava do consentimento do pai da criança. Chamam-no conservador por isso (a expressão na CNN foi "Solidly conservative Judge").
Pois é, onde é que já se viu... perguntar ao Pai da criança se concorda com a realização do aborto!
O contentor, peço desculpa, o corpo da mulher é soberano, mesmo que esta seja (trans)portadora de um fruto feito a dois, a decisão será sempre e só da dona e senhora do pacote, oops, do corpo.
Por falar nisso, gostava de chamar a atenção para o nosso conservador, ultrapassado e caquético Código Civil; num contrato de depósito, mesmo de coisa comum, o depositário não pode desfazer-se da coisa depositada sem o consentimento do depositante co-proprietário.
Não deixa de ser engraçado, considerar-se sinal de sofisticação valorizar mais as "coisas" que os bebés por nascer.
Vou ali no instante pôr o Samuel a chorar.

Adivinhem quem vai aparecer por Lisboa...



Toca a votar seus bandalhos... Aqui

quinta-feira, outubro 27, 2005

O que queres ser quando fores grande?

Prof. - E tu José, o que queres ser quando fores grande?
José - Quero ser político.
Prof. (torcendo o nariz) - Tens a certeza?
José - Certeza, certeza... não. Mas tenho uma firme convicção.

Harriet Miers Withdraws Nomination

(...)
Harriet Miers era advogada do Jorge quando este ainda autografava condenações à morte no Texas. Parece que era advogada numa big (but local) law firm. Segundo se diz o seu mister respeitava a áreas convencionais e estaduais do direito americano, corporate litigation.
Quando o Jorge se mudou para DC a menina veio de atrelado e ficou advogada da casa branca. Ora, o Jójó, com certeza grato pela excelência dos serviços prestados, entendeu nomear a Harriet para uma posição mais prestigiante que a de mera Jurista da Casa Branca, algo mais estável, um cargo que não possa vir a ser afectado pelos sucessivos governos. Uma vez que o cargo de Juiz do Supremo nos EUA é vitalício, desta vez a resposta não demorou muito a assaltar-lhe o espírito.
Felizmente – e ao contrário dos tachos no nosso piqueno Portugal – o Supreme Court (SC) tem uma espécie de exame de admissão. As personalidades nomeadas pelo Presidente para pertencer ao painel de Juízes do SC têm de passar numa série de exames e entrevistas para poderem fazer parte do dito (ai se a CGD funcionasse assim…).
Sucede que a Harriet chumbou logo no primeiro questionnaire... mais, não entregou o segundo dentro do prazo (ontem) e não queria entregar ao SC documentos comprovativos da sua experiência nas áreas que interessam mais a este, nomeadamente direito constitucional. Parece que são documentos secretos que o Jorge quer esconder dos Juízes do SC porque estes podem ser uma pandilha de espiões disfarçados com becas.

No entanto a nomeação da Harriet teve o condão de trazer consenso entre os dois grandes partidos norte-americanos. Depois de dia 1 de Outubro Republicanos e Democratas encontravam atrito apenas no que respeita a dois pequenos conceitos: incompetente e ignorante.

O Jorge amuou e a Harriet bazou (pudera com os exames que ainda tinha pela frente… Safa!)

Viriato apoiaria a candidatura de José Maria Martins

Depois de ler o novo blog de apoio à candidatura de Manuel Alegre, O Quadrado, José Maria Martins já veio dizer, segundo fonte isenta e fidedigna, a D. Etelvina do R/C dto., que Viriato apoiaria a sua candidatura, caso estivesse vivo. Viriato, disse, pastor e caçador lendário que deu cabo do couro aos romanos na Península Ibérica, é bem melhor que a padeira de Aljubarrota e que a técnica do quadrado. Segundo José Maria Martins, se o Manuel Alegre tem a técnica do quadrado e a Padeira de Aljubarrota ele tem Viriato e a técnica de luta nas montanhas com fisga, muito útil para acertar na testa de Mário Soares enquanto ele dormita na campanha, o que acontece com frequência e o leva a pensar que aquilo que já aconteceu ainda está para acontecer . Também Francisco Louçã terá, em breve , um blog de apoio à sua candidatura, para o qual escreverá, com regularidade, Hugo Chavez. O blog de apoio à candidatura de Louçã chamar-se-à "I'm not a trotskyst but he sure kicks ass" e, ao invés da técnica do quadrado, ou da fisga alpina, terá a técnica do chavão permanente.

No Model United Nations realizado em Dublin, 1998

P. - The representative of Hungary has the floor.
RH - Hello [arrota], I'm Hung(a)ry (comendo o "a" com um sotaque irlandês cerrado).

O peso de uma adolescência fecunda...

Your Kissing Purity Score: 9% Pure
For you, it's all kiss and no talk.
You're in a permanent lip lock.
Kissing Purity Test

"Eles" vivem...


A discussão à volta das forças ocultas da sociedade têm enchido páginas de jornais e livros por este admirável mundo fora. Em qualquer lado há uma teoria da conspiração, uma trama ou um novo teorema de mistério. Quem são eles? A Maçonaria, a CIA, o SIS, o Priorado de Sião ou os próprios Fraggle Rock? Relativamente ao Fraggle Rock, série infantil muito pouco estudada e analisada, ainda ninguém se atreveu a apontar o dedo àqueles seres com cores diferentes, claramente identificativos da casta interna a que pertencem no grupo, e que hostilizam e ameaçam a civilização humana e animal representada pelo Doc e pelo seu cão Sprocket. Totalmente subversiva, a série corrompeu toda uma geração de crianças, nos anos oitenta, que nunca viram no seu esconderijo cavernoso, do pequeno buraco na parede, a sede de uma inescrupulosa e totalitária sociedade secreta. “Eles” escondem-se numa caverna, não se sabe com que planos para nós…

Nunca vos aconteceu saírem de um clube ou de uma discoteca, já com mais de 1,2 de álcool no sangue e alguém vos sussurrar ao de leve: “Tenham cuidado…Eles estão ali a seguir à curva”? Incautos todos pensamos aliviados que se trata da Brigada de Trânsito da GNR. Nada mais ingénuo. Trata-se de “Eles” mesmo. Eles estão à nossa espera a seguir à curva. Mas quem são “Eles”? Quais os seus planos para a nossa civilização?

E que dizer daqueles dias de sol, mas um pouco nublados, em que estão na paragem de autocarro e de repente alguém diz “Eles davam chuva para amanhã…” respondendo outro logo em seguida “Eles dizem tanta coisa”. A maior parte de vocês ignora estes sinais, mas eu arrepio-me de medo. Quem são estes “Eles” que me dizem se no dia seguinte vou à praia ou fico a ver um DVD em casa? Quem são “Eles” que mandam na minha vida?

E o que dizer a esse prato ignominioso que tantos portugueses ingerem nas casas de pasto deste país e que dá pelo inocente nome de “Iscas com Elas”. Elas????? Quem são “Elas”? Afinal “Eles” são macho e fêmea o que indica que terão a capacidade de se reproduzir e crescer a um ponto de dominar todo o nosso triste planeta. Nunca arrisquei a comer isso. Peço encarecidamente que façam um exercício de investigação e perguntem pelas pessoas que já ingeriram “Iscas com Elas” (a comida de “Eles”). Será que se tornam um de “Eles” como nos contos de vampiros?

Temo que a conquista se tenha iniciado há alguns anos com sessões de hipnose colectiva, bastante identificáveis em manifestações e fenómenos como o futebol. Reparei nos últimos tempo que um conjunto de pessoas dentro de um estádio ensaia um cântico que me deixou intrigado ao início, mas depois petrificado... Era mais ou menos assim: “Estamos sempre Convosco, Estamos sempre Convosco, Estamos sempre Convosco, Não Vos deixaremos sós.” A princípio pensava que estavam só a puxar pela equipa do Sporting. Nada mais falso. Eram eles. Adquiram a capacidade de alienar multidões inteiras.

A questão essencial já não é quem, mas quando?! Quando vão eles expandir-se ao ponto de aniquilar a nossa existência? A mensagem de John Carpenter em 1988 não foi entendida a tempo. É tempo de o homem se organizar perante a ameaça que aí anda. “Eles” vivem.

quarta-feira, outubro 26, 2005

O teorema que queria ter escrito

"Ata-me": o melhor elogio à liberdade da mulher casada.

terça-feira, outubro 25, 2005

"She sat down in order that we mind stand up"



Morreu, aos 92 anos de idade, Rosa Parks, a mulher, negra, americana que recusou ser tratada como uma cidadã de segunda categoria. Recusou sentar-se na parte de trás do autocarro e, brava e resolutamente, avançou para os lugares da frente reservados aos brancos nos autocarros do Alabama racista de 1950 .
For her act of defiance, Mrs. Parks was arrested, convicted of violating the segregation laws and fined $10, plus $4 in court fees. In response, blacks in Montgomery boycotted the buses for nearly 13 months while mounting a successful Supreme Court challenge to the Jim Crow law that enforced their second-class status on the public bus system.
The events that began on that bus in the winter of 1955 captivated the nation and transformed a 26-year-old preacher named
Martin Luther King Jr.
into a major civil rights leader. It was Dr. King, the new pastor of the Dexter Avenue Baptist Church in Montgomery, who was drafted to head the Montgomery Improvement Association, the organization formed to direct the nascent civil rights struggle.
Her act of civil disobedience, what seems a simple gesture of defiance so many years later, was in fact a dangerous, even reckless move in 1950's Alabama. In refusing to move, she risked legal sanction and perhaps even physical harm, but she also set into motion something far beyond the control of the city authorities. Mrs. Parks clarified for people far beyond Montgomery the cruelty and humiliation inherent in the laws and customs of segregation.
Foi-se a mulher. Fica o legado. Que descanse em paz.

Gostar de Woody Allen é coisa de gente deprimida III



GA:The last time we spoke was at the release of Celebrity and I wondered if you felt that becoming very well known yourself has also been problematic for you - even here when we came in tonight there were lots of people who wanted to touch your clothes, get your autograph, just to see you, whatever.
WA:I don't like anybody touching my clothes. For me it was a problem when it first started. I've gotten much better at it, but it depends on one's natural personality. I have colleagues - other comedians I know, that started with me, and were very graceful about it right from the start. The minute they went on television and got known they could walk down the street and they enjoyed the acclaim and they could walk into a restaurant and people would clap and they would like it. I CRINGED. I had a very tough time with it, and I've gotten much better at it over the years, but it's not something that came natural to me. I was a writer, and when one chooses to be a writer, psychologically there's a reason for that because you like the isolation and you like to be by yourself and you are by nature timid. And so I had a tough time with that and I've gotten better at it but it's not my strong suit at all.
Entrevista de Woody Allen ao The Guardian/NFT
O Woody Allen não gosta de ser celébre. Não gosta que lhe toquem na roupa e que batam palmas quando entra nos restaurantes. Nem eu. Era chato. Mas felizmente nunca ninguém me fez isso. E passa o Manhattan no Hollywood por estes dias, e o Jurassic Park e um dos trezentos filmes que se chamam Rambo. Há de tudo. O Manhattan é, obviamente, muito melhor que o Celebridades. Embora o Celebridades tenha momentos e o Leo Dicaprio e um cameo do Mark Vander Loo. O Kenneth Branagh, no Celebrity, faz lembrar um Woody Allen depois de um AVC. Foi de propósito, bem sei. O Woody Allen já não tinha idade para o papel principal, por mais que o maquilhassem ficava sempre forçado fazer um personagem de quarenta anos. E ainda mais tendo como interesse romântico a Famke Jamsen (raio de nome). A Famke (Bonnie) atira o manuscrito do Kenneth (Lee) ao rio, original sem cópias do livro que lhe levou a vida inteira a escrever e que seria, supostamente, a sua obra prima. Irrecuperável. A coisa mais importante da vida dele. Teoria da retribuição. Lei de Talião. Atira o manuscrito com ele a ver. Atira-o quando descobre que ele a traiu com a desenxabida da Winona Ryder. O Celebrity vale, entre muitas outras coisas, por ter a mais perversa vingança feminina motivada por dor de corno da história do cinema.

E máináda!

No Porto, no puro Porto, não se contorna as rotundas.
Controla-se as rotundas!
E máináda!

(é só pedir indicações em Campanhã)

segunda-feira, outubro 24, 2005

Super Mário

Tentativas divertidas de Vital Moreira e outros para subirem ao topo de uma montanha e pararem o vento com a duas mãos.

Justa causa? Only God knows...

Como seria julgado, em Portugal, um caso como este?
a) Interpretava-se a vontade do Legislador
b) Recorria-se ao Acordo Colectivo de Trabalho da profissão em causa
c) Concedia-se o direito à greve (cuja adesão atingiria os 90% em todas as paróquias do País, segundo os padres, ou rondaria os 10%, segundo o Vaticano)
d) Deixava-se o caso prescrever

Exmo. Senhor Dr.,

Isto é só para que não diga que também a blogosfera só lança as candidaturas daqueles que nela têm comissários po´líticos, ou que tem privilegiado os candidatos do regime.
Já agora, e para que eu possa felicitar o idiota, o que nasceu primeiro: o super mario ou o blogue do advogado José Maria Martins?

sexta-feira, outubro 21, 2005

O meu contributo para a estabilidade da Nação

É consensual!!

Para todos os candidatos a Belém, Portugal não precisa de um Presidente da República. Precisa de agendar consulta no psicólogo.

"A" dúvida

Na apresentação da sua candidatura à Presidência da República, o Professor Doutor Cavaco Silva acabou por não esclarecer os portugueses quanto àquilo que, efectivamente, importa.

Afinal, o que lhe aconteceu ao lábio superior?!

quinta-feira, outubro 20, 2005

A coutada da septuagenária latina

Às pressas para tirar aquelas que seriam as piores fotografias de que tenho memória e que irão figurar no meu cartão de identificação profissional para todo o sempre, oiço os comentários de uma septuagenária à fotografia de Cristiano Ronaldo na capa da Men's Health:
- Ai este desgraçado! Andam todas atrás dele. Não admira, olhem para isto! Até parece que era preciso violar alguém. Isto é que era uma noite bem passada! Não era menina?
Pois, JFR, não é só o macho latino que tem coutada ( fazendo uso do teu título e daquele acórdão de má memória), também a tem a septuagenária latina e de pleno direito.

A (terrível) Coutada do Macho Latino!


Todos nós formos surpreendidos (ou não...) com as recentes notícias dos jornais relativamente às (alegadas) violações perpetradas pelo n.º 1 da bola, Cristiano Ronaldo.

Pois bem que toda esta história tem contornos muito particulares...

Para começar, as violações, a terem existido, aconteceram num dos mais luxuosos hotéis do mundo, onde estava acomodada toda a equipa do Manchester, ficando cada um dos jogadores nas chamadas junior suite, pelo simbólico preço de £ 350,00! (Estima-se e espera-se que a segurança num local deste gabarito seja, no mínimo, existente!) Efectivamente, os contactos entre as meninas e o jogador terão acontecido numa destas suites. Agora como é que elas lá foram parar?

Tudo teve início num típico pub inglês, quando Cristiano decidiu pagar um Chicken BBQ e umas quantas pints a duas bifas que lá andavam. Entretanto a conversa evoluiu e as meninas decidiram acompanhar o jogador à sua suite, acabando por entrar. De acordo com informações da recepção do Hotel, ambas saíram com uma aspecto bastante contente cerca de 1h30 depois de entrarem e sem quaisquer marcas de agressão!!

De seguida, as duas britânicas correram todos os jornais e revistas cor-de-rosa, e de outras cores, para tentar vender a sua história, mas ninguém, lhe quis pegar.... Por acaso, temos de admitir que nisso a imprensa britânica já está um pouco mais à frente, pois não pega em nada sem provas. É certo que os ingleses têm milhares de publicações onde mostram “the real life of the stars”, onde adoram colocar imagens de mulheres lindas a acordar, com caras e cabelos terríveis (ainda me lembro do choque que apanhei o ano passado em Setembro quando vi numa dessas revistas a Liz Hurley cheia de papos e ramelas....), mas ficam-se por aí!

Falhada a tentativa dos media, as duas meninas tentaram a polícia. Mas a Scotland Yard, ao perceber a façanha, apertou tanto com elas que uma já desistiu! Mas a outra continua, perseverantemente na sua busca de fama. E talvez consiga, até porque esta via têm-se mostrado das mais fáceis para vir a ficar com um futebolista na manga, ou não tivesse já Victoria Adams Beckam no passado acusado dois futebolistas alemães de violação... E vejam como ela está agora.

JFR

Depois

desta: "foi tomada a decisão de comprar a vacina da gripe das aves, justamente para prevenir qualquer eventualidade", já não sei que credibilidade deva dar à dos 150.000 empregos em quatro anos, à do choque tecnológico, à do combate às fraudes na Segurança Social... enfim, ao programa do governo.

O Outono


Adoro o Outono. Esta chuvinha abençoada dos últimos dias faz-me recordar uma época do ano que parecia já não visitar Portugal há muitos anos. Chamem-me cinzento mas não sou pelo sol.
O Verão é, contra todas as lógicas, uma estação triste para mim. Estou longe de toda a gente e toda a gente está longe de mim. Toda gente vai para um parte estranha do mundo ou do Algarve. Não falo com as pessoas com quem gosto de falar todos os dias. Não há almoços em Lisboa. O cinema é todo vomitável e não há futebol de jeito. Os amigos juntam-se e separam-se sem que demos por nada. Fazemos figura de parvos quando damos por nós a dizer “Ah…Já não andas com a não sei quantas” ou “Andas com quem???”. Não são boas as rotinas, mas caramba… No Verão há falta de rotinas a mais! No Verão o Quiz fecha. Pânico. Mais do que qualquer outro vício, aquelas noites na Rua dos Industriais fazem-me falta. O Outono faz-me lembrar uma tarde, há precisamente dois anos, em que desci os Campo Elísios e em que pela primeira vez pensei nesta paixão pelo Outono. A folhas das árvores caíam em cima do nosso guarda-chuva, acompanhadas de finos pingos de chuva. Como eu gosto de chuva. Deve ter a ver a minha costela conservadora. Nasci no Outono. O Outono faz-me lembrar os meus anos. Faz-me lembrar os meus avós. Faz-me lembrar a dificuldade de carregar uma caixa de bolo de chocolate debaixo da trovoada. Faz-me lembrar os treinos de rugby na lama. Gosto de gabardinas e guarda-chuvas. Gosto do castanho e das nuvens no céu. Sou um ex-estudante de Erasmus em Milão e não em Barcelona…

Mas a grande questão neste confronto Verão-Outono é uma questão de esperança. O Outono é época de uma nova oportunidade, de um novo começo. Sabemos onde encontrar as pessoas que queremos. Estão naquela rua de Lisboa e não naquele “resort” do México. Imaginamos mil projectos e convencemo-nos verdadeiramente que este vai ser o nosso ano. Não sei se é influência dos tempos do ano escolar ou das épocas futebolísticas mas de facto o ano começa no Outono.

O Verão é o fim. O culminar de um época. Olhamos para trás e quantas vezes não pensamos nas coisas que podiam ter corrido melhor, os projectos que não realizámos, o tabaco que se consome compulsivamente ou as centenas de euros que doámos ao Holmes Place, para estarmos sempre na mesma. Se alguma vez fizerem uma estatística, aposto que 80% das relações terminam no Verão. As outras 20% começam a degradar-se nessa triste época. Graças a Deus os meus pais não casaram no Verão, quando vejo a fotos deles à porta da Sé de Évora vislumbro um céu cinzento e cheio de nuvens. Casamento molhado, casamento abençoado. Aposto que este ditado popular nasceu para consolar a noiva pelas manchas de lama nas rendas do vestido branco. Mas no meu caso não. Casamento molhado é mesmo casamento abençoado. Acho que se gosta do Verão porque num mar de férias, areia, água salgada, cocktails, luzes, música e paixões efémeras que se enterram na praia assim que chega Setembro, conseguimos esquecer muito do que foram os nossos fracassos ao longo do ano.

Outono se não é esperança, é pelo menos ilusão gostosa. Bem-vindo Outono. Abriu a época do Sagitário.

quarta-feira, outubro 19, 2005

E esta LTN?



(Linda Fiorentino)
Evil enough?
Em caso de dúvidas cfr. "The Last Seduction".

Conselho a um amigo que não gosta de perder tempo:

Não estudes só a jurisprudência dos tribunais, estuda também a "jurisprudência" das secretarias.

Só estou a tentar ajudar

A Lux do estrogen diaries foi novamente assaltada!
Em Maio, os punhos de ginástica.
Desta feita, as pílulas.
Aqui fica o meu contributo para a investigação criminal.
P.S.: Fonte do Ministério Público informou já que não incidem suspeitas sobre Martina Navratilova.
"Ela já não precisa de tomar a pílula. Mesmo que não estivesse na menopausa, ela não precisa de tomar a pílula".

Evil bitches I would love to score!

Nick: What did Manny Vasquez call you?
Catherine: "Bitch" mostly, but he meant it affectionately...



Killing isn't like smoking. You can stop.

Sou só eu?



Ou há mais gente a quem soe mal a ideia de um tribunal dos direitos humanos condenar à morte...

terça-feira, outubro 18, 2005

Diário de uma Democracia...

Alguns dias após a noite eleitoral, conseguimos apurar toda a verdade sobre o que se passou um pouco por todo o país. Vejamos
Dia 9 de Outubro de 2005

8h00 - Abrem as urnas
8h01 - Santana Lopes vota vindo directamente da noite
8h15 - Soares acorda e não sabe que dia é
8h16 - Soares vai à casa de banho e perde-se no corredor
8h30 - Sócrates vota e comenta para o "amigo" que hoje vai ser um grande dia
8h32 - Maria Barroso descobre Soares na cozinha e leva-o para a cama
8h45 - Carrilho acorda e telefona à Barbara para se juntarem para irem votar
9h00 - Zezinha entra na missa antes de ir votar
9h35 - Santana Lopes deita-se
11h00 - É colocado um banco à frente da mesa de voto nº 2 da secção de voto 54
11h01 - Marques Mendes vota na mesa 2 da secção 54
11h02 - É retirado o banco
11h30 - Jerónimo de Sousa chega à sede do PCP onde começa a ouvir cassetes de tempos antigos e músicas revolucionárias
11h45 - Louça fuma o segundo charro do dia e já se está a borrifar para os resultados
12h00 - Soares consegue finalmente se levantar e veste-se para ir votar
12h05 - Maria Barroso volta a vestir Soares depois de lhe virar as calças para o direito
12h30 - Soares Junior vota e telefona ao pai a pedir ajuda
13h00 - Seara vai votar aproveitando o intervalo do jogo da manha na sport tv
13h01 - Soares chega ao local de voto
13h05 - Soares adormece na fila para votar
13h06 - Soares acorda e não sabe onde está
13h10 - Soares vota mas não sabe onde pos a cruzinha
13h15 - A caminho de casa Maria Barroso vê uma cruz desenhada na mão de Soares
15h00 - Carrilho vota mas não cumprimenta o presidente da mesa
15h30 - Carmona vota e mostra-se confiante perante os outros dois candidatos homens e as duas mulheres
15h31 - Sá Fernandes vota e re-afirma-se homem
15h32 - Ruben de Carvalho mostra com orgulho a sua masculinidade num voto poderoso
15h33 - Zezinha sai da missa e vai votar e diz não conhecer nenhum Carmona
15h34 - Carrilho não se pronuncia e fecha-se no quarto a brincar com uma Barbie já antiga
17h00 - Louça vota e manda uma marrada na porta de tão charrado que está. Embora com aparato no impacto o incidente é levado a rir.
17h15 - Soares adormece
19h00 - Carmona ganha Lisboa
19h01 - Seara arrasa em Sintra
19h02 - Rio esmaga no Porto
19h30 - Soares acorda e telefona ao filho a dar-lhe os parabens
19h31 - Maria Barroso mete Soares na cama e pede-lhe para dormir
20h00 - Carrilho discursa não assumindo a derrota e acusando Carmona de ser mau e feio
20h30 - Socrates esconde-se numa sala no largo do Rato e faz beicinho
20h45 - Jorge Coelho culpa a direita fascista
21h30 - Mudam as pilhas ao Jeronimo de Sousa
21h31 - Jeronimo de Sousa faz um discurso de vitória e exulta frases de 1917
22h00 - Carmona abre uma gafarra de whisky mas esconde-a de Sá Fernandes e de Miguel Portas
22h30 - Avelino Ferreira Torres foje para o Marco mas como não conhece a cidade perde-se e acaba aos pontapés aos caixotes do lixo
22h45 - Em Gondomar o Major explode com a vitória e quer bater em tudo e todos
23h00 - Fátima Felgueiras distribui pelouros por alguns presos e mete uma muda de roupa num saco azul em caso de ter de sair, só cabe uma muda de roupa pq o saco está cheio

23h10 - Soares acorda e comemora a vitória como Presidente. Maria Barroso mete-o na cama e dá-lhe dois comprimidos
23h15 - Barbara manda Carrilho para a cama sem jantar e tira-lhe o Ken durante uma semana por castigo
23h30 - João Soares chora em Sintra e prepara candidatura a uma Junta na margem sul
00h00 - Zezinha é eleita e comemora com um chá e umas torradas
00h01 - Soares adormece sem perceber o que aconteceu
00h02 - Santana Lopes acorda e vai para a noite
(texto recebido por e-mail de origem desconhecida)

Don't get me wrong

Não me estava a queixar dos 95%, o que me chateia verdadeiramente são os parcos 5%!
Com uma diferença horária de -5 horas estas são algumas das coisas que me assolam o espírito...

Não deixa de ser curioso...

... que por essa blogosfera portuguesa fora apenas 5% dos posts sejam escritos em horário pós-laboral.
Será que a proliferação de blogs está directamente relacionada com a diminuição galopante da produtividade nacional?

segunda-feira, outubro 17, 2005

Rumores (confirmados pela D.Gertrudes e pelo senhor do guichet da Cinemateca)

Dylan tem Scorcese. Cobain tem Gus Van Sant. Ray Charles tem Taylor Hackford. Morrison e os The Doors tiveram Oliver Stone. Em Portugal, os Delfins têm Manoel de Oliveira. Manoel de Oliveira foi o realizador escolhido para filmar a história da mítica banda e do seu carismático líder Miguel Ângelo. Sobre o realizador português escreve-se "são característicos os longos planos sequência, não entendidos pelos espectadores, que o punem, porque não estão preparados para se envolverem, ou não se deixam envolver numa teia de relações que só faz sentido no seu todo." Também a música dos Delfins não tem sido totalmente entendida, os longos uivos de Miguel ângelo mal recebidos pelos que o ouvem, porque mal preparados para o escutarem, e as letras devem ser compreendidas no seu todo. A total falta de sentido é apenas aparente. A escolha de Manoel de Oliveira era óbvia. Também Pedro Granger foi uma escolha óbvia, partilha o mesmo gosto pela água oxigenada e o mesmo olhar profundo e lânguido de Miguel ângelo. O filme "Nasci selvagem" não tem ainda data de estreia.
Na calha está também a biopic de Toy. Após a recusa de Manoel de Oliveira (ocupado com o projecto dos Delfins" e de Pedro Abrunhosa ( músico e cantor por acidente e negligência grosseira dos portugueses que compraram os seus discos, que depois de um auspicioso início de carreira na "reverse advertising" - aquela que leva os consumidores a não comprarem os produtos- planeia agora lançar-se na realização) , o realizador mais provável será Michael Moore. Hábil no manejo da câmara que filma a tragédia e o horror, pretende utilizar a mesma técnica especialmente para os segmentos ao vivo do filme. O papel principal vai ser interpretado pelo Fernando Pereira, que já se encontra, intervalando as imitações da tina turner, a treinar afincadamente a sua voz para atingir a amplitude vocal de Toy.

Separados à nascença?

A linha ténue

Passar pela sede da candidatura às Presidenciais de José Maria Martins e pensar que os gajos do Inimigo Público têm tantos meios que "aquilo que não aconteceu mas poderia ter acontecido" até já esbarra connosco na rua.

O homem é mais vertical que a Torre dos Clérigos! # 2

The handkerchieves were wagging the supporters. Not the other way around.

O homem é mais vertical que a Torre dos Clérigos!

Co Adrianse não faltou à palavra. Ele disse que, para se ir embora, bastava que os sócios do Porto acenassem com lenços brancos.
Exigia-se uma qualidade especial do agente. Não bastava que fossem "adeptos". Tinham que ser sócios do Porto, e com as quotas em dia.

sexta-feira, outubro 14, 2005

Oi pessoal!

Há que dizer que o melhor serviço de internet em 2004 e 2005 é mau como tudo e tenho tido problemas de acesso à net neste dias.

Por isso é só mesmo para dar as boas vindas ao BAC e informá-lo que como caloiro que é será necessariamente submetido à praxe em breve.

Giro giro foi o Reininho a dançar agarrado à coluna!

Eles cumpriram. Bela festarola !Pena foi o FMS ter passado os Kaiser Chiefs e o "Everyday I love you less and less" exactamente na altura em que eu me estava a ir embora (cedo porque sexta-feira é dia útil). Ainda dei uns pulinhos à porta.

curta(?!)-metragem publicitária da H&M nas salas de cinema

Só não percebo o que passou pela cabeça do bófia para demorar tanto tempo a enfiar um balázio na Julieta.
Fosse eu e disparava ao primeiro vocalizo da cachopa.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Post "Esses amarantinos..." (ainda as Autárquicas)

Escrevo-o tarde (vários dias volvidos sobre as eleições autárquicas).
Quase a despropósito (a merecer um "então e a nossa selecção?!" no final da leitura).
Ainda assim, tenho que o escrever:
Estou solidário com Avelino!
Estou indignado com os amarantinos!
Pronto, já o disse!
Os gondomarenses, os felgueirenses, os leirienses... esses sim.
O Presidente Valentim, a Presidente Fátima, a Presidente Damasceno, não foram condenados, por sentença transitada em julgado, pela prática de nenhum crime! (ponto de indignação)
Por que razão deviam os eleitores de Gondomar, Felgueiras e Leiria cotejar, no momento de "botarem o boto", a condição de arguidos e de acusados dos três Srs. Presidentes?
Se estivessem acusados da prática de um crime de condução perigosa ..., aí sim!
Agora falsificações de documentos, tráfico de influências, corrupção passiva, abuso de poderes... valha-nos Santa Maria Adelaide.
Aplaudo"com as duas mãos que tenho" a atitude e o voto esclarecidos dos eleitores do referidos Municípios.
Agora, os amarantinos (esbugalhar de olhos) ...!
Só porque o Avelino foi condenado, em Julho de 2004, a três anos de prisão (com pena suspensa por quatro anos), multa e perda de mandato, não o elegem?!
Foi condenado?! E?! Está pendente recurso no Tribunal da Relação do Porto! A sentença ainda não transitou em julgado! A sentença ainda não transitou em julgado!!
Indignado!
Esses amarantinos...

Post "no fino fio da navalha" (porque ele está em todo o lado!)

Sempre que vejo o Dr. António Vitorino na televisão lembro-me do Al Pacino no "Godfather II"...
De como abdicou de ser "Don" em favor do seu "Consiglieri".
Diferenças (de entre as menos evidentes)?!
O Dr. António Vitorino não o fez em favor do seu "Consiglieri".
Nem o fez em prol "de la famillia".
"Don Ántónhio Vitóríno"

What were you expecting?!

Assentando, numa palavra, o que creio esperam os "founders" do "recently arrived" portuense:
TRIPAS.
Está dito.
Crendo-me fiel intérprete da V. vontade, seja a mesma feita.

Ssshhhiiiu!

Vexata quaestio

Um blog cujos membros são todos advogados é necessariamente um blawg?

quarta-feira, outubro 12, 2005

Novo Pitagórico

A partir de hoje, à lista de Pitagóricos junta-se mais um nome.
Bruno Arteiro Coutinho (BAC).
Prosseguindo a nossa estratégia de deslocalização iniciada com o nosso correspondente em Washington (AMJ), junta-se-nos um correspondente do grande Porto.
Aguardamos a qualquer momento, e de acordo com a mesma estratégia, a entrada de correspondentes do Laos, Burkina-Faso, Vietname e Trinidade e Tobago.
Depois do Porto, Lisboa e EUA, o resto do mundo.
Em nome de todos, desejo-lhe uma prazenteira e longa estadia chez nous!
Sê muito bem-vindo!

Citação Suicido-Depressiva do Dia

"The light at the end of the tunnel is a train."

(nome do álbum de estreia de Whitey, 2004)

A sofisticação britânica!

Imaginem que estão a conduzir em Inglaterra!

Já estão de sobreaviso, porque os ingleses, além de conduzirem ao contrário do resto do mundo, são como cabras, dentro e fora do carro, além de que metade deles seguem uma rigorosa dieta de cerveja o dia todo...

Vão tranquilamente, pensando no chá das cinco e de repente deparam-se com este sinal, para o qual nem 200 aulas na escola de condução vos poderiam ter preparado:


Ficam ainda mais atentos (ou não) e reduzem a velocidade, preparando-se para o que der e vier...

Depois de uns quantos metros deparam-se com isto:

A rotunda mágica!

Pelos vistos, há 3 ou 4 como esta na Gra-Bretanha.

Esta fica em Swindon, entre Londres e Cardiff, perto de Southampton.

JFR


terça-feira, outubro 11, 2005

Por falar em D. Sebastiões...

Há um ou outro moçoilo que já podia regressar à sua primeira casa, que isto de dormir em casa de amigos todas as noites só pode significar farra a mais.
Bem, por esta passa... mas depois faz favor de passar um fim-de-semana comprido em casa!
Bem sei que as opiniões contam pouco e que votos é coisa que a blogosfera não precisa (os óscares ainda vão longe), mas nos meus favorites o quinto está uns lugares acima dest'outro, mais que não seja por direitos adquiridos!
Azarucho. Já disse.

What Advanced Degree Should You Get?

Será que as certezas se pegam? Melhor, será que nos convencem a nós e ao mundo?

You Should Get a JD (Juris Doctor)
You're logical, driven, and ruthless.You'd make a mighty fine lawyer.

Carnegie Hall – Uma casa Portuguesa…

A chuva parou para ouvir a Marisa (en)cantar no Carnegie Hall.

Mas devo confessar que até 6ª feira à noite, a elegância natural, o gingar das ancas (bonitas por sinal) e a forma muito própria de estar no fado da cantora loira nascida em Moçambique e criada na Mouraria nunca me convenceram.
Ainda que defendesse a renovação do fado, preconizado pela fadista, a verdade é que na minha cabeça ainda se mantinha o bastião do fado na tertúlia de uma tasca, cantado pelo talhante e pela florista da esquina; em que o fadista é elogiado e desafiado pela audiência nos “Ah boca linda!”, “Ai garganta de oiro” ou nos “Puxa!” ou “Acredita!”, já para não falar nos “trai-lai-lai”…
Pois é, a verdade é que queria ver a sala mais do que o espectáculo.

Habituado à Gulbenkian e acusando a reputação da sala, cheguei a horas.
Afinal não é assim que se faz por estas bandas, os meus confrades emigras chegavam em magotes de 15, vestidos de baile a cheirar a naftalina e ostentando, quais condecorações presidenciais, as gravatas de domingo e os collants de casamento.
O atraso até nem era muito grave, mas os “arrumadores” não faziam ideia que o fado, antes de morrer na garganta, respira fundo e solta o mais belo e arrepiante canto, qual cisne ferido de morte.
Por não saberem era vê-las: famílias inteiras num chilrear de fios, cruzes, correntes e pulseiras com “Vítor” gravado a prata, a entrar em jeito de procissão, interrompendo a estocada final, ruminando o luto de um fado caído mas ainda não derrotado.

No meio do movimento do gado destacava-se uma voz, um orgulhoso lamento de uma vida sofrida... mas quando as costas peludas do Sr. Silva se afastavam e o palco deixava de ser uma miragem, a voz não combinava com a figura que via.
A imagem que Marisa transparece não encaixa com o sentimento que veste, quem já a viu sabe o que digo, ela não se encolhe atrás da guitarra, antes a desafia e seduz com o balançar das ancas, como que a convidando a perder as peneiras e tomá-la de assalto.

Quando o público já estava rendido, a fadista invoca Maria Callas, desliga o som e canta sem muletas, uma voz e uma guitarra encheram a sala. E eu, lá em cima no galinheiro, no equivalente a um 7º andar, não só ouvia como me deliciava!

No final tive pena. Pena pela iniciativa não ter sido apoiada pelo estado português, nem uma palavra da embaixada, nem uma referência a uma qualquer fundação lusa… nada. A quem devo a minha noite de 6ª feira é ao World Music Institute e ao (meu) Bank of America.

Aproveito apenas para dizer que fazendo jus à minha (agora) mundialmente conhecida impulsividade, gritei um “ACREDITA!” durante um silêncio dramático do fado “Uma casa portuguesa”… afinal o meu bastião mantém-se, o fado só faz sentido se for sentido, se assim for, todo o palco - até o Carnegie Hall na big apple - mais não é que uma casa de Fados da Mouraria.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Best of Autárquicas 2005: os premiados!

Prémio Pitágoras "Party Crasher" 2005
"The party's go"
Alberto João Jardim, "o poliglota" , querendo dizer "a festa acabou".

Prémio Pitágoras "Quando é que começam as inscrições para o próximo Big Brother?" 2005
"É o cacique da comunicação social contra o povo."
Avelino Ferreira Torres , candidato derrotado à Câmara Municipal de Amarante

Prémio Pitágoras "O meu partido só tem uma candidata acusada de peculato e isso é uma média muito boa"
"Estamos contentes por Avelino Ferreira Torres não ter ganho"
Ana Drago

Prémio Pitágoras "Hay que tener-los e o Marques Mendes não os tem" 2005
"Aqui não manda um zé ninguém qualquer"
Valentim Loureiro, candidato independente eleito em Gondomar, no discurso da vitória.

Prémio Pitágoras " Sou eu e a pomba gira" 2005
"Eu leio os vossos pensamentos"
Miguel Sousa Tavares, comentador da TVI, em troca de galhardetes com a Manela e a Constança

Prémio "Tenho uma dívida externa maior que a do Burundi" 2005
"O PSD é credor das minhas felicitações."
José Sócrates, Primeiro Ministro, devedor

Prémio "Tu podes ter Lisboa mas eu tenho a Bárbara"2005
"Quero agradecer à Bárbara."
Manuel Maria Carrilho, candidato do PS derrotado à Câmara Municipal de Lisboa

sexta-feira, outubro 07, 2005

Sonso

É comum dizer-se que a palavra “saudade” não tem tradução para qualquer outra língua do mundo e esquecer-se de outras que, embora sem um sentido ou significado tão poético, são tão ou mais intraduzíveis. Por exemplo, a palavra sonso, que para mim sempre foi um mistério. Lembro-me de ser puto e repetir o que a minha irmã mais velha chamava a uma amiga – sonsa – julgando que quisesse dizer “pessoa sardenta” (não tendo a rapariga em questão, na realidade, mais que um ou dois sinais praticamente imperceptíveis na cara, o que me deixava bastante confuso). Felizmente, hoje, enquanto adulto inquisitivo que sou, tenho plena consciência que uma pessoa sonsa é uma pessoa de pescoço curto ou inexistente.
A primeira dificuldade para definir ou desenvolver o conceito prende-se com a respectiva fonia. Sonsa rima com amigo(ou amiga)-da-onça, é certo. Mas não é uma associação que se faça facilmente. Até porque sonso, à primeira vista, até se trata de uma palavra fofinha. Consigo imaginar um casal a mimar o seu recém-nascido: “Ó querida, já viste o Afonsinho? É tão sonsinho!”, o que não faria sentido dada a incapacidade de um bebé de ser velhaco ou de fingir ingenuidade. Logo, à primeira vista, não é uma expressão que pareça ser ofensiva, daí ser dos melhores insultos que existam – o insultado só dá conta que o foi algum tempo depois e provavelmente apenas após algum raciocínio. No entanto, é um insulto raramente ouvido em público. Não é de homem ir para um estádio gritar “o árbitro é um sonso!” ou “vai pra casa meu granda filho de uma sonsa”, nem fica bem trocar o “hipócrita” e o “dissimulado” por “sonso” num debate político. Por outro lado, o que dizer de uma pessoa que chama “sonsa” a outra? Não estará ela também a ser sonsa por estar a fazer as coisas pela calada, sem o outro se aperceber? E merecerá cem anos de perdão por isto? Mistérios que um dia gostaria de ver resolvidos.
Depois, o próprio significado da palavra. É um erro frequente (e perfeitamente desculpável) pensar-se que sonso é o contrário de insosso (que se lê “insônso”) e portanto que cool e hip mesmo é ser-se sonso. Quem é que gosta de ser visto como um cinzentão sem interesse cuja vida de apimentada não tem nada? “Ah, ela até era gira, mas era um bocado para o pãozinho sem sal...”. Não pode ser! pensam os adolescentes público-alvo de bebidas alcóolicas light, vamos mas é sair à noite que nem os doidos sonsos que somos!, quando no fundo estão a ser o mais frontais possível (já não sabem o que é a ingenuidade para poder fingi-la). É preciso criar condições nas escolas para evitar este tipo de males-entendidos que podem revelar-se perigosos aquando da entrada destas pessoas no mundo do trabalho.
Por fim, a etimologia da palavra (do castelhano “zonzo”) leva a crer que a pessoa sonsa não tem culpa de o ser por não estar bem em si (está desnorteada ou foi de alguma forma atordoada), o que nunca permitiria que o seu comportamento fingidor fosse doloso. Mais um equívoco que é complicado de desfazer. Até porque, convenhamos, qual o psicólogo que conseguiria distinguir um comportamento ingénuo intencional de uma atitude negligente provocada?
A próxima vez que chamarem alguém de ingénuo pensem duas vezes nos efeitos que isso poderá ter. Pode ser que vos saia o tiro pela culatra. Mas espero que não.

Olhares no "Olhares" II



Mais, aqui.
"Look in my eyes and drown"
Autor: Deftona

Olhares no "Olhares"


Mais, aqui.
Autor: Emanuel Couto

O Presidente da Junta da Califórnia

Mesmo depois de todos os últimos posts da INF e do JFR a caricaturar o país real onde vivemos, temo informar-vos que, por muito que se esforcem, os nossos autarcas continuam a ser umas verdadeiras crianças comparado com o que se vive do outro lado do Atlântico. Senão vejamos: porque é que nunca ninguém inventou um site como este para o Avelino Ferreira Torres?

(OBS: com som)

Os Batanetes nas Autárquicas!

Pese embora o facto Teorema nos últimos dias ter sido invadido pelos temas (podres) das autárquicas, não resisto a deixar aqui (ainda que correndo o risco de me acusarem de postar à estilo batanetes) um excerto do discurso de um dos candidatos à câmara de Seia. O objectivo do Sr. candidato seria combater a inércia do povo perante a passividade do poder instalado.

Reza assim:

Um alemão, um francês, um inglês e um português comentam sobre um quadro de Adão e Eva no Paraíso.
O alemão disse:
- Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e esguia, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.
Imediatamente, o francês reagiu:
- Não acredito. É evidente o erotismo que se desprende de ambas asfiguras... ela tão feminina... ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Devem ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:
- Que nada! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser Ingleses.
Depois de alguns segundos mais de contemplação, o português exclama:
- Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma triste maçã para comer, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso. Só podem ser Portugueses !!!!...”

Sem comentários...

Já agora, o debate ontem dos quatro candidatos de Lisboa foi uma desilusão... O Sr. Candidato Carrilho estava demasiado calmo e educado!!
JFR

Não quero que te falte nada!

INF! A formiguinha trabalhadora do Teorema, aka myself, já satisfez todos os teus desejos. Até mantive o defunto embora a Coughling´s Law diga "Berrie the dead...they stink".

Segunda-feira pagas o almoço...

quinta-feira, outubro 06, 2005

To do list ( ao cuidado dos Pitagóricos)

Linkar este blog que parece confessional mas, no fundo, não é. E este que tem muita piada (vide "A noite dos mortos vivos"). Actualizar o link deste que continua a ter muita piada e a "cheirar" lindamente.
Nunca tirar o link deste sff.

Gostar de Woody Allen é coisa de gente deprimida II


Hannah (Mia Farrow) em conversa com Mickey (Woody Allen) depois de saber que ele não pode ter filhos:

Hannah: Could you have ruined yourself somehow?
Mickey: How could I ruin myself?
Hannah: I don't know. Excessive masturbation?
Mickey: You gonna start knockin' my hobbies?

De "Hanna and her sisters".

Leitura obrigatória sobre leituras dispensáveis

"Couves & Alforrecas" (para ler do princípio ao fim), no excelente Esplanar.

Margarida Rebelo Pinto sempre se queixou da incompreensão e da indiferença do meio literário. Com alguma razão, reconheça-se. Afinal, é a escritora mais lida em Portugal, vende dezenas, centenas de milhares de livros, e a crítica literária, ocupada no seu próprio tédio, nunca tem tempo para a ler. Ignora-a. Não faz o seu papel, não emite opiniões fundamentadas e especializadas. É inaceitável, por exemplo, que os portugueses, pelo menos aqueles que a lêem, se vejam privados das solenes meditações de um António Guerreiro ou de um Manuel de Freitas, isto para referir apenas dois nomes, dos mais destacados, que representam as últimas gerações da crítica literária jornalística. Ora isto é de uma injustiça feroz. Perante tal situação, perante a crónica incapacidade dos críticos para lidar com obras de inusitado êxito comercial, decidi mergulhar, de cabeça, na obra completa de Margarida Rebelo Pinto(..).

Dir-me-ão que todos os escritores têm as suas obsessões. É verdade. Mas que dizer disto: “Só a ideia de ouvir a voz do Miguel dá-me vómitos” (Vera, AP), “quando o meu pai batia na minha mãe, eu ficava sem me conseguir mexer e com vontade de vomitar. Engolia em seco e tentava evitar os vómitos” (Maria do Carmo, PCN), “cada vez que penso que andámos neste disparate quase dois anos até me dá vontade de vomitar” (Julieta, PCN), “quase a vomitar com o cheiro do corpo dele” (Maria do Carmo, PCN), “fiquei tão enojado que me despedi à pressa, inventei uma desculpa qualquer e fui para casa vomitar” (Pirolito/André, PCN), “estou enjoada, enjoada, cheia de vontade de vomitar” (Julieta, PCN), “uma toalha cor-de-rosa e uns guardanapos a dar com a toalha. Aquilo era pior do que vomitado de cão” (NHC, p. 210) ou “bata verde vomitado de cão” (AP, p. 29).
JPG, admiro-lhe a perseverança...não admira que ela tenha "despertado o masoquista" que há em si!

quarta-feira, outubro 05, 2005

Mas ela sabia que ia comer medalhões... II

Pelo menos uma apoiante (resta saber de quê...) durante um jantar de apoio ao candidato do CDS em Oliveira do Bairro foi mais sincera. Vejamos:

Jornalista: Então, está a gostar do ambiente de festa que se vive aqui em Oliveira do Bairro em época de eleições?

Apoiante: Estou pois, ora na’via de estar?

Jornalista: E o que a move para estar hoje aqui?

Apoiante: O comer!!

Duas teorias se desenvolveram depois desta (autêntica) resposta:

1. O candidato azul tinha a alcunha de “comer” enquanto andava na escola por ser obeso q.b.
2. A Exma. Sr.ª está-se a borrifar para as eleições, é daquelas que nunca votou, mas não resiste a um bom leitão com batatas de forno e um tinto da talha... O cenário até nem é assim tão estranho e invulgar, não fosse ela mulher de um vereador que agora se recandidata!!!

JFR

Tuga Beauty




(imagens via Autárquicas em Cartaz)

Pensava que o panorama autárquico era desolador. Entre trocas de insultos, Rui Rio apupado (forma soft core de dizer que lhe chamaram filho da ......), processos crime, a aparição de Fátima, o Valentim a pregar às crianças, candidatos birrentos e ordinários que não apertam a mão aos adversários e aquele senhor de Alcobaça preocupado com o chichi no mosteiro, pensava eu (e estava redondamente enganada) que o panorama não podia ser melhor.
Eis que descubro que, a avaliar pelos cartazes, há lufadas de ar fresco que, um pouco por todo o país, vão surgindo.
Senão, vejamos:
Em Matosinhos, a CDU tem uma candidata que por ter tão vincadas posições em relação ao teste de cosméticos em animais, posou para a fotografia dando, literalmente, a cara ao manifesto. Nem uma sombra de maquilhagem se vislumbra naquele semblante de mulher de grandes ideais. Nem shampô nem amaciador nem pente passaram por aquele cabelo. Fiel às suas arreigadas convicções no que respeita à indústria de cosméticos posou ao natural para a foto de campanha, acabada de acordar e depois de ter dado banho aos doze cães vadios que alberga em sua casa.
Na Aldeia de Valverde, o PS e a Junta de Freguesia de Tourega fazem promessas a sério aos seus "concidadões", até ao final do ano há um forno naquele local para os bolos e assados. Ex libris da Aldeia de Valverde, os assados da D. Joaquina vão ter, finalmente um forno a preceito onde podem ser cozinhados. Espera-se, na Aldeia de Valverde, um aumento significativo do turismo.
Em Faro, o sol põe-se, romanticamente, mas este senhor não se põe. Antes levanta as mãos ao alto como quem pergunta: "Mas o que raio estou eu aqui a fazer?".
Em Porto de Mós temos candidata. Apoiada pelo PP e pelo Charlton Heston (Presidente da National Rifle Association que pretende instalar uma sucursal em Porto de Mós em breve), esta mulher de armas e de força tem o que é preciso para fazer de Porto de Mós (a Joanesburgo portuguesa) um lugar mais seguro.

Mas ela sabia que ia comer medalhões...

O mito: O povo português gosta é de comer e em Portugal come-se bem e barato.
A prova de que o mito não é mito:
Jornalista: Então a senhora está aqui porquê?
Pretensa militante/apoiante (algo confusa entre uma garfada e outra): Pelo Partido. Ai, como é que se chama? Sim... PSD!
A conclusão: O povo português gosta é de comer e em Portugal come-se bem e barato, especialmente por altura das eleições autárquicas.

Dai de comer ao povo!

Num jantar-comício (é escusado referir o partido, até porque a caricata cena e as gastronómicas motivações devem repetir-se, sem olhar a cor partidária, um pouco por todo o país) , jornalista entrevista pretensa militante/apoiante:
Jornalista: Então porque é que está aqui?
Pretensa militante/apoiante: Ora, porque tenho fome!
Seguiu-se, na peça jornalística, a descrição da ementa.
O povo não tem fome de poder, tem "fome de comida", vota no melhor menu.

segunda-feira, outubro 03, 2005

Apocaleclipse

Os tempos que correm não têm piada. Ao contrário dos tempos que dançam e jogam raquetes na praia – esses sim são boa companhia. Mas aborrecidos mesmo são os tempos hodiernos. Antigamente, quando fazia-se noite de dia, vinha tudo para a rua puxar os cabelos oleosos e gritar que o mundo ia acabar. Era Deus Nosso Senhor (um d’Eles) que, irado com tanta avareza, luxúria, gula (sinceramente nunca me pareceu justo que este fosse um pecado que merecesse ser equiparado aos outros – uma pessoa viciada, sei lá, em Petas Zetas ou manteiga de amendoim dar direito a passar o resto da Eternidade ao Inferno?), etc., vinha fechar a loja e mudar-se para outras bandas, e o primeiro corte era na electricidade. Quando o sol reaparecia por detrás da penumbra, uns momentos depois, então falava-se na misericórdia divina, Deus teria pensado duas vezes e dado uma segunda oportunidade (embora não houvesse duas sem três), para que todos pudessem arrepender-se e passar a trilhar caminhos não pecaminosos, todos se ajoelhavam dando graças por aquele ter sido apenas um cartão amarelo e jurando não mais sequer ter pensamentos ímpios. Volvidos dois dias já ninguém se lembrava daquela aflição e voltavam todos a apunhalar-se em bordéis infestados de Petas Zetas.
Hoje em dia não. Há sempre uma explicação para tudo. O sol escurece? É um eclipse, claro. Acontece quando há um alinhamento entre o sol, a Terra e a lua e a sombra desta sobre o sol é projectada na Terra, blá blá blá. Será anelar? Pena não estarmos em Bragança, caso contrário veríamo-lo na sua totalidade. Mas põe lá esses óculos especiais que te fazem parecer um perfeito anormal porque faz mal olhar directamente para o sol. Tudo tem explicação. Não há sinais do apocalipse. Em resumo: piada, nicles.
Giro giro era se isto nunca tivesse acontecido até hoje. Que o primeiro eclipse solar da História da Humanidade tivesse início às 8h38 da manhã do dia 3 de Outubro em Portugal. Era ver o Presidente da Câmara de Bragança a convocar uma conferência de imprensa para acusar a oposição de denegrir a sua imagem em plena campanha eleitoral. Um sócio do Benfica encolhia os ombros e anasalava: “Eh, eu sempre disse que não me importava que o Mundo acabasse desde que ainda conseguisse ver o Glorioso ser campeão”, enquanto assistia aos treinos dos infantis da equipa B, enxotando o interlocutor com “um agora não me distraia” depois de se ter apercebido que não tinha visto um auto-golo fantástico. As sociedades de advogados começariam logo a contar o período de tempo em que o sol não estava a funcionar na sua plenitude e a calcular os efeitos que isto teria sobre os portugueses e a quem é que se poderia assacar responsabilidades (começando por Deus, obviamente, pelo que se deveria iniciar sem falta a penhora em massa de tudo o que fosse bens dos Seus representantes na Terra) e a TVI anunciaria no seu noticiário da manhã: “Casal de idosos dá à luz trigémeos gnus. Não perca esta reportagem logo a seguir a esta mensagem curta do Papa sobre como salvar a sua alma e não ir parar ao Inferno depois do mundo acabar.”
Mas nada de pilhagens e rixas, até porque este é um país de brandos costumes.

Kill Shakespeare




Às vezes gosto de me enfiar dentro da mente de um intelectual da esquerda moderna e arejada. Chego a conlusões interessantes e vejo que poderia perfeitamente escrever coisas assim:
(nota - o texto que se segue é de ficção, o que não quer dizer que não vejam, escritas por aí, coisas parecidas...)

"Se o bater de asas de uma borboleta em Nova Iorque pode provocar tempestades na China, que efeito terão certos livros subversivos nas mentes das crianças, boas selvagens e pré-corruptas pela sociedade cruel?

Já basta de vergonha! Hoje pode-se comprar e ler Mein Kampf em Portugal, embora o nosso movimento de intervenção se tenha batido pela proibição da comercialzação e leitura de tal livro. Contudo é preciso atacar a raiz dos problemas. Hitler não passou de uma criança na China poluída por essa borboleta infernal que dava pelo nome de William Shakespeare. O seu Mercador de Veneza não é mais que um livro anti-semita e xenófobo. É extremamente corrosivo e perigoso e deveria ser retirado dos programas escolares. Aliás os nossos camaradas do ANC na África do Sul já mandaram às urtigas o vergonhoso Othello, obra de cariz racista e discriminatória que todos sabem estar na base do surgimento do KKK e do Aparthaid. Shakespeare foi um dos grandes monstros da humanidade. Nas suas mãos escorre o sangue de milhões de inocentes ao longo dos séculos.
Aquela foto ali em cima é falsa. Não deixem enganar por aqueles ares de Lenine. O bigode é muito mais curto e delimita-se pelo diâmetro do nariz. E que grande jeito dão aquelas golas à século XVI para esconder as inúmeras suásticas que Shakespeare tinha tatuadas do pescoço...

Por isso camaradas, não basta proibir os seus livros subversivos. Não basta combater a apologia da raça ariano-dinamarquesa em Hamlet ou a discriminação das mulheres em Julius Caesar. Temos que seguir o exemplo de Carlos Fabião no PREC. Se Fabião em 1975 proclamava que era preciso ir a Santa Comba enforcar o cadáver de Salazar, nós hoje juntamo-nos aos nossos amigos No Global em Londres e ao Sr. Michael Moore e marcharemos para Stratford uppon Avon para limpar a terra dos seus vermes. Kill Shakespeare!"


Não sei como é que nunca me convidaram para escrever no extinto Anacleto...

Lugares (muito) comuns


Inês Pedrosa, cuja farfalhuda escrita já me vinha fazendo confusão há muito tempo, confirmou os meus piores receios. Empregou aquela frase "panaceia" que qualquer aluno do 10º ano de Filosofia com média de 11, adora empregar nas aulas, ao discutir a problemática da ética humana. Todos a conhecem. É foleira e reza assim:

"A minha liberdade acaba, onde começa a liberdade dos outros"

Felizmente há poucos anos esta tonteria teve um contra-arguento simples, prático e poderoso, para a mentes mais simplificadoras. Tal exemplo foi-nos oferecido pelo senhor Armin Meiwes, mais conhecido pelo "Canibal Alemão". O senhor Meiwes comeu outro ser humano chamado Bern Juergen Brandes, o qual, no pleno uso da sua liberdade e dando largas à sua vontade individual se voluntariou para ser devorado por outro ser humano. O anúncio publicado por Meiwes pedia jovens entre 18 e 25 anos explicitando seu objetivo de consumir sua carne.
O pênis e testículos da vítima foram consumidas quando ele ainda estava vivo acompanhado de vinho branco.


E tudo sem invadir a liberdade dos outros...

Onde é que está o problema?