quarta-feira, agosto 31, 2005

The Max Bickford factor

Ou desculpas para me deitar tarde às terças-feiras. Dois episódios seguidinhos. No canal 2. O melhor dos dois: The pursuit of happiness. Sete Palmos de Terra de férias de Verão (ou pelo menos assim o espero) e a dois sempre a dar-me desculpas para não me sentar em frente ao portátil e terminar o que trouxe para fazer (wishful thinking) em casa. Pois. Reza assim: o senhor já teve problemas com drogas, alcóol e cigarros, deixou tudo porque tem muita força de vontade e agora dá aulas numa universidade pequena mas já rejeitou convites para Yale. E dorme com as mulheres dos amigos e depois diz que não se lembra porque estava na fase do blackout. Gostei especialmente de como se principiou discutindo o défice democrático que resulta do facto de certas famílias mais parecerem castas com direito por nascimento ao poder nos EUA. Liberty. Freedom. The pursuit of happiness. A última é poesia constitucionalmente consagrada. Andava tudo a pensar sobre isso na aula do tal Max. Thomas Jefferson dormia com as escravas. Trabalho de casa dado pelo Prof. Max : (nunca me deram trabalhos tão giros na faculdade) tentar perceber o que nos faz felizes e depois escrever sobre o que será isso da busca da felicidade (tradução livre e provavelmente infeliz de pursuit of happiness). Uma das alunas, nas séries os alunos fazem sempre os TPCs, cita John Stuart Mill. Max é convidado para Harvard e recusa. Discute-se se a pessoa do artista é fundamental para a compreensão da sua obra e se, maxime, a ideologia e façon de vivre do artista podem ser chamadas à colação na compreensão da obra, ou se esta lhe sobrevive e se torna maior que ele, independentemente das suas falhas. Lennie Riefenstahl era uma nazi. Picasso era um misógino. Já sabia. Basta olhar para as mulheres nos quadros dele. Gosto bem mais do Klimt e do Schiele mas, lá está, há quem diga que o Schiele era um pederasta. Ver aquele filme com o Anthony Hopkins também ajuda a perceber que o Picasso era um bocado cretino. Nesse filme, Picasso era um porco machista misógino e Matisse era um querido. Todas queriam posar para o Matisse, ao Picasso diziam que não queriam que ele lhes pusesse o nariz nas orelhas e as pernas no pescoço. Na série, andar com o último cigarro no maço resistindo à tentação de fumar ajuda a deixar o vício. (Pois, é como os alunos que fazem sempre o TPC.) Eu já tentei. Comigo não resulta. Último cigarro quer dizer que já está na altura de comprar outro maço.

1 Comments:

Blogger diane said...

Carissima,

Andamos mesmo em sintonia. Esta série é a minha nova "novela". Descreves muito bem: é um "sete palmos de terra" de ferias de verão. Sem a complexidade e o peso cruel e humano dos sete palmos, é uma versão light, que dá que pensar q.b, distrai o suficiente e é o melhorzito que se pode encontrar àquela hora.
é uma série "simpática". Como este post, qum post que eu gostaria de ter escrito. à excepção do fumo final, compreendo, aturo e compactuo nas manias dos fumadores (as you know it!),partilho o fumo e o aroma...menos o vício!

8:52 da tarde  

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