segunda-feira, abril 03, 2006

Totus tuus

















Inexplicável, pelo menos para um não crente. Não tenho palavras para descrever o que sinto quando me lembro de João Paulo II. Comovo-me invariavelmente.
Vi-o algumas vezes, não muitas, porque isso implicaria que a utilidade marginal seria afectada de alguma forma, e não, isso nunca. Todas as vezes que o vi, que o ouvi e que o senti foram inesquecíveis.
A primeira vez era um miúdo imberbe que se limitou a descer a ilha da madeira (avenida entenda-se) e entrar no estádio do Belenenses para passar horas intermináveis a ouvir missa. Ainda era muito novo para perceber e gozar a companhia que me estava a ser oferecida, mas lembro-me como se fosse ontem quando ele "me" disse que "eu", um dos jovens ao calor, era importante para a felicidade dele.
Depois disso fui vê-lo a Roma, onde me passeei por S. Pedro como turista. Depois vieram os murros no estômago.
Fátima e Roma.
No primeiro o que parecia mais uma peregrinação, plena de sentidos e significados como as demais, acabou por ser diferente porque me ia encontrar com ele. Vi-o e ele viu-nos a todos. Um momento íntimo, único... como ele gostava de nos fazer sentir.
No segundo (uma sequência de murros em bom rigor), quando vivi em Roma. Quando cheguei, desvairado à procura de um tecto encontrei-o temporariamente com um amigo, o Padre José Tolentino Mendonça, no Collegio dei portoghesi, para minha felicidade paredes meias com o Vaticano.
Enquanto vizinho e depois enquanto romano tive o privilégio de o ver muitas vezes. Começou por ser a caminho da La Sapienza, entre mim e o metro ficava (graças a Deus) a praça de S. Pedro. Via-o à janela, no altar, nos ecrãs gigantes, nas audiências públicas que pouco público conhecia... em todas as vezes a sua presença tocou-me profundamente.
Não o acompanhei nas "jornadas", eram sempre muito longe e fora de época, em suma, as minhas prioridades mudavam conforme o vento. As dele não, nunca.
O Jótapê (como gosto de lhe chamar) era uma daquelas pessoas que - não há volta a dar-lhe - pela sua própria presença enchiam de graça um pobre e pequeno (grande) pecador.
Era maior do que ele próprio. Independentemente de se concordar, louvar ou criticar o seu papado; é unânime que o Homem inspirava tudo e todos.
Totus tuus, o seu mote, dedicado a Maria dizem, para mim tenho que foi dedicado a todos nós. Não vou dizer humanidade, porque não há humanidade nenhuma nisso. João Paulo II dedicou-se a cada um de nós em particular, mas a todos, sem excepção.

Deus é omnipotente, omnipresente e omnisciente. João Paulo II tinha um coração omnivalente. Maior que ele próprio. Foi disso que Ele morreu.
Morreu de amor.
Deus lhe dê o eterno descanso, pelo esplendor da luz perpétua descanse em paz.
(Consagração a Nossa Senhora)

3 Comments:

Blogger nahar said...

fiquei tocado ao ler este jogo de palavras

6:29 da tarde  
Blogger António said...

Muito obrigado Nuno,
Felicidades na tua jornada.
Um abraço.

8:18 da tarde  
Blogger RT said...

Ainda não tinha visto este teu outro blog. Para mim o JP também é muito especial, afinal cresci com ele como imagem viva da I greja que somos todos nós. Bem haja e bem hajas.

6:37 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home