terça-feira, janeiro 10, 2006

Não há problema...

Mas agora que finalmente reconhecem, já podemos ir para o privado, ou temos que continuar a sustentar os inúteis do Rendimento Mínimo?

6 Comments:

Blogger lux said...

Caríssimo LTN,
há muito que passeio alegremente pelos teus posts sem te levar muito a sério. Mesmo depois da injustificável investida acerca dos supostos comentários hi5ianos, de péssimo gosto acrescente-se, esta do "rendimento mínimo" já me fez comichões. É sobejamente conhecida a tua postura perante este tipo de questões (aliás, de uma proximidade interessante com a do sr. pacheco pereira, em demasiados aspectos até), mas gostaria de te dizer umas coisas.
Não existe rendimento mínimo garantido. Essa nomenclatura assistencialista de direita foi felizmente revogada, ou melhor, repristinada: existe um rendimento social de inserção. Integrado num regime não contributivo, integrado no público e universal da segurança social, sustentado por uma lei de bases e por uma Constituição (sobre a qual tecerás algumas considerações ainda mais medonhas, suponho). Ora, o rendimento social de inserção não se limita a prestações pecuniárias. Integra um plano de inclusão social de famílias pobres (sim, existem mais de 200 000 pobres em Portugal), que actuam sobre o emprego, habitação, saúde e educação (quase a música do godinho).
Afirmar que o sistema de segurança social poderá "ir ao charco" porque há uma reduzida (e sublinho reduzida) percentagem de pessoas que recebem 180 euros por mês é das coisas mais abstrusas que alguém pode dizer ou acreditar. Se calhar acreditas que não trabalham porque não querem, gostam é de não fazer nada e auferir estas prestações milionárias...
Dou-te só um exemplo: ao invés de acabarmos com o "rendimento mínimo", porque não se tributam as empresas com base no valor acrescentado bruto? Sim, essas empresas de capital intensivo, com poucos trabalhadores e muito lucro. Ou acreditas mesmo que não são as empresas as que mais devem à segurança social?

12:02 da tarde  
Blogger LTN said...

Começando pelo critíca que aceito, mas que sabes ser verdade, não apenas no vosso blog, mas em todos (Já houve uma brasileira em 2004 que se meteu comigo no Geraldo...) é uma constatação de facto, não exclusiva vossa. Se não "pesquei" mais comentários de engate foi porque não tive tempo. E tu sabes que encontraria milhares.

9:23 da tarde  
Blogger LTN said...

A questão nominalista não faz a diferença. O rendimento mínimo existe e está aí desde o consulado de Guterres. E sabes tão bem como eu que quem o recebe não são só as 200.000 famílias pobres, mas também os drogados que tu e eu defendemos nos juízos criminais, entre outros parasitas.

Por mais difícil que seja aceitares isso, percebo porque és de esquerda e acreditas que o ser humano é naturalmente bom, há muita gente que prefere não trabalhar e viver não apenas de rendimento mínimo mas também de subsídio de desemprego. Há falta de emprego. Pois há. Mas que não há falta de trabalho não é menos verdade.

Eu trabalho desde os 23 anos e pago os meus impostos. Se para sustentar este modelo social em que vivemos sou obrigado a não ter uma velhice digna e condizente com o que trabalhei na minha vida, então exijo ao Estado que me deixe escolher! Por minha conta e risco.

Quanto à tributação do lucro é a ideia mais disparatada que já ouvi! Vou tentar explicar o esquema para outros leitores porque tu o conheces bem.

Se tal acontecesse as empresas grandes "O Big Fish" que tu queres apanhar falavam com o seu advogado e deslocalizavam-se para paraísos fiscais deixando de pagar impostos cá. Resultado mais desemprego, mais miséria, mais votos no PCP. As médias e pequenas empresas de sucesso, mas que vivem com a corda na garganta perante esta crise, teriam que despedir pessoal. Resultado? Mais desemprego, mais miséria, mais votos no PCP. A segurança social teria menos gente a contribuir. Resultado? Falência do sistema. Subiam os sustentados, desciam os contribuidores.

Como corolário, lá vinham as empresas espanholas, compravam as portuguesas, lá se iam os centros de decisão. Resultado? Os grandes empresários e acessores como o Pina Moura vendiam a alma ao diabo e recebiam largos bónus e prémios para vender a retalho o capital português ao estrangeiro.

Em suma. Acabar com o rendimento minímo é acabar com um gasto.

Tributar o lucro das empresas é um suicídio nacional.

9:37 da tarde  
Blogger lux said...

Querido!
Sorri ao ler o que escreveste. Não que tenha gostado, claro que não, mas porque vem de encontro a um raciocínio que finalizei ontem sobre a origem de classe. Eu sou de uma, tu és de outra, daí que a análise da sociedade (a minha e a tua) partam sempre de pressupostos diferentes. Social vs economia.
Quanto ao primeiro comentário, sobre os blogues, confesso não ser perita na blogoesfera, não sei se há engate ou não. Acaso não saibas, os comentários que transcreveste são de pessoas que são nossas amigas, mas talvez para ti o conceito amizade feminino/masculino ainda seja difícil de interiorizar. Mas olha que existe. E não te cabe a ti "etiquetá-lo".
Quanto ao resto...
Para ti, "drogados" são parasitas. E quem recebe o rendimento social de inserção são os que não querem trabalhar, porque não gostam. Mas sabes que, efectivamente não são esses 200 000 pobres que recebem. São menos. Muito menos.
E a ruptura financeira da Segurança Social resultará no aumento do IVA para 23% (caso ainda não tenhas ouvido). Mas, à tua análise facciosa das contribuições das empresas respondo-te isto:

- As dívidas das contribuições das entidades patronais à Segurança Social no fim do 1º semestre de 2005 ultrapassavam os 3. 200 milhões de euros, associadas à fuga ao pagamento de contribuições por parte dos contribuintes mais poderosos, a par das subdeclarações de remunerações;

- A falta de cumprimento pelo Estado das transferências financeiras que lhe eram devidas para financiar a Acção Social e os regimes não contributivos ou fracamente contributivos resultou numa dívida do Estado à segurança social de 11.711 milhões de euros, entre 1997 e 2005.

- A economia clandestina representa de 20% a 22% do PIB;

- O Pacto de Estabilidade e Crescimento;

- Segundo os dados publicados pelo INE, em 2002, as empresas com um VAB médio por trabalhador de 15.770 euros por ano contribuíram para a segurança social com 11,4% do VAB; as com um VAB médio por trabalhador de 21.030 euros por ano contribuiriam para a segurança social com 12,1% do seu VAB; e as com um VAB médio por trabalhador de 32.396 euros por ano contribuíram para a segurança social com apenas 10% do seu VAB.
As 500 maiores empresas contribuíram com apenas 6% do seu VAB.

A meu ver aqui não há qualquer justiça social, e as deslocalizações e o desemprego de que falas não são consequências necessárias, até porque a implementação de uma taxa sobre o VAB, para as grandes empresas, não seria significativa.
Claro que, para ti, a distribuição da riqueza gerada não faz qualquer sentido, e eu tenho que respeitar a tua concepção (com a qual, obviamente, discordo).
Em relação à tua questão "mais votos no PCP". É isso mesmo...como é que não me lembrei antes? Vou pugnar por políticas altamente antissociais, miséria para todos, só para termos mais votos. Claro! É brilhante!

10:43 da manhã  
Blogger LTN said...

Fico feliz que me aches querido e agora fico a pensar se é uma referência de amizade homem/mulher ou mais qualquer coisa :).

O tipos das oficiosas recebem o rendimento minimo. Tu sabes disso eu sei. Nunca fizeste um pedido de apoio judiciário? Claro que fizeste. Sabes que é verdade.

Outro grupo são os ciganos. Não me choca catalogá-los como grupo, porque são isso mesmo e orgulham-se disso. Mas também recebem o rendimento minímo e ainda fazem pouco do Estado por esse maná que rebem como bónus.

Para finalizar temos as centenas de fraudes ao Rendimento Minímo. De pessoas que são sustentadas por outros meios mas aproveitam-se.

Essa do aumento do IVA não conhecia. Mas sei que tens informações priviligiadas e por isso faço fé. Outro disparate para a economia e para a competição.

O problema dos comunistas é ainda terem a visão marxista do operário vs Estado e patrões. Estado isolado e fechado. A lógica da globalização é outra. É a dos patrões e operários darem as mãozinhas para sobreviverem em economia aberta e perceberem que mais vale, por exemplo, despedir 10, para a empresa não fechar e irem 100 para o desemprego.

O empresário rico e capitalista do séc. XIX não existe. Já não existe. O empresário é um trabalhador que tem que arregarçar as mangas tanto como os seus trabalhadores. Se conhecesses mais empresas de média dimensão perceberias o que digo.

Situações de incumprimento não são causa da falência da Segurança Social. Podem contribuir para acelerar o processo. Mas o drama prende-se com o modelo que não é mais possível com a situação demográfica latente.

Esta mania da esquerda de que o Estado é pai e podem viver de mão estendida constantemente é a causa do atraso do país. Aprenda-se com os americanos. Há que suar o lombo para ter um lugar ao sol.

O professor Salazar sempre defendeu o trabalho como valor fundamental do país. Com Abril achou-se que isso era ideia de "fascistas" e que assim que se redistrubuisse a riqueza ficava tudo resolvido. Deu no que deu.

Finalmente a questão de fundo da minha resposta. As deslocalizações do grande capital, em caso dessa caça às bruxas. Tu meramente respondes "isso não será necessariamente assim"... Sabes perfeitamente que sim. Isto se o Conselho de Administração e o respectivo advogado tiverem cérebro.

Termino com uma pequena provocação. Qual seria o sentido de existência dos Partidos Marxistas se não houvesse miséria e pobreza no mundo????

2:49 da tarde  
Blogger lux said...

Como não quero massacrar os leitores com uma discussão ideológica, nem me quero pronunciar aqui sobre as generalizações e evocações que aqui escreveste (bendito seja o 25 de novembro, não é?), e sob pena de achares que me estou a meter contigo:

tens o meu mail. Envia-me se fazes o favor um mail (não sei se o teu ainda é o mesmo), que eu quero mandar-te uns relatórios. Já sei que caem em saco roto, mas inda assim...

4:33 da tarde  

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