sexta-feira, novembro 25, 2005

Morte aos betos!

A frase do título, muito grafitada na paredes da margem sul, é uma expressão que identifica um grupo de pessoas, os "Betos". Expressão que tem aguentado ao longo dos anos, se bem que mais significativa nos anos 90 do que hoje, quando os portugueses já reinventaram o Bairro Alto onde a maralha anda toda misturada.

O que era então o beto, grupo onde o autor deste post foi várias vezes catalogado? O beto era o jovem de classe média ou classe média alta que vive no Restelo, na Linha ou na Lapa, que usa camisa e sapatos vela, que usa normalmente um fio com crucifixo ou medalha de Fátima à volta do pescoço, joga rugby numa das inúmeras equipas de Lisboa, passava as noites no Whispers ou na Benzina e geralmente viajava muito com os pais a Paris, Londres ou Madrid donde trazia t-shirts do Hard Rock Café. Subsidiariamente faziam um curso de inglês num colégio do centro de Inglaterra. Muitos praticavam ainda desportos como a vela e o hipismo. Tinham ainda ramificações na província como os meninos da Foz no Porto ou os membros dos grupos de forcados no Alentejo. Passam sempre as férias em Vilamoura e chamam-se predominantemente Frederico, Francisco, Martim, Gonçalo, Afonso, Lourenço, Bernardo e Salvador no caso dos rapazes e Maria, Mariana, Matilde, Madalena, Constança ou Pureza no caso das meninas.

Até aqui disse um monte de banalidades e lugares comuns sobre os betos, mas aquilo que nunca ninguém explicou é o porquê do nome “BETOS” em especial. Saramago pode estar na origem, quando no seu “Levantado do Chão” dá aos “grandes latifundiários fascistas” os nomes de Alberto, Roberto, Gilberto, Adalberto. Uma evolução fonética para “Beto”? Não empolemos Saramago que o seu ego já é grande demais.

Beto é normalmente o nome de arrumador de carros ou de jogador de futebol. Quem não se lembra do famoso “Beto Mãozinhas”? E o Beto jogador do Sporting, tal como Beto jogador do Benfica e até o Beto do União da Madeira, como outros 200 Betos que militam na II Divisão B, sem esquecer o Beto Acosta. E aquele Beto gadelhudo que faz duetos com a Rita Guerra? Aqui no bairro o arrumador de serviço é o Beto. O tipo serve na casa da Codornizes em Évora é o Beto.

Associa-se esta malta ao perfil que tracei no segundo parágrafo? Então porquê chamar “Betos”? Fica o mistério...