quinta-feira, setembro 01, 2005

The rape of democracy III

Portugal em 1961 viu-se a braços com uma guerra em África. Contudo a verdade da intransigência do Estado Novo em defender as colónias tem motivações muito diversas daquelas que a opinião comum quer fazer crer. A chamada teimosia é muitas vezes proveniente da ideia que os ultras do regime (Que Salazar tentou domar e Marcelo Caetano deixou à solta) tinham de um império global.

Na verdade qualquer governo e qualquer regime que estivesse instalado em Lisboa teria enviado tropas para Angola. Por vários motivos.

Primeiro evitar o extermínio de centenas de milhar de colonos brancos. A ditadura fê-lo, como o fez o governo dos radicais de esquerda da primeira república, que levou o país para a I Guerra, sob o pretexto de defender as colónias.

Depois porque era uma guerra que estava ganha à partida e o país tinha recursos. Coisa que hoje em dia é difícil de engolir mas foi o próprio Marcelo Caetano que disse “Não há de ser por falta de dinheiro que nos vamos render”. Os terroristas africanos combatiam na selva e defendiam pequenas aldeias, com cocos na cabeça. Não havia grandes centros urbanos onde pudessem ser desencadeados movimentos de tensão. A guerra da palhota era rápida e barata

Ainda porque havia não uma África, mas três Áfricas. Um África árabe a norte, um África negra abaixo do Saara e uma África Euro-Africana no sul, onde para além do ultramar português, estava a África do Sul e a Rodésia.

E, last but not the least, porque 50% das forças portuguesas na guerra eram constituídas por nativos. Os auto-proclamados líderes revolucionários africanos (que até para nos maldizer tinham que usar a nossa língua), sicários de outras potências como a União Soviética, pouco conheciam dos seus países. Educados na Europa (como o sr. Gandhi) sempre se quiseram misturar com um povo que mal conheciam e compreendiam.