quarta-feira, julho 13, 2005

Nova teoria para o fracasso da monogamia - Erratas

Recebi algumas críticas em relação a este post. Respostas:
1. Eu sou a favor da monogamia numa relação.
2. Apesar disso, acho que a monogamia é algo imposto socialmente e que não é natural. Mas a partir do momento em que duas pessoas acordam que pretendem viver a sua vida (seja a que título for e com que limite temporal em vista) exclusivamente a 2, essa regra passa a ser auto-imposta e não pode sofrer desvios (pelo menos até ao final do acordo), sob pena de violação das legítimas expectativas criadas na esfera do inadimplente (esta linguagem jurídica também a mim me enoja, mas já não há nada a fazer, apoderou-se recentemente do meu ser, qual Alien - o Oitavo Passageiro e passou a controlar o meu corpo e mente 24 horas por dia; outro exemplo: quando olho para o meu despertador e vejo 4:42 lembro-me imediatamente do artigo homónimo do Código Civil e dos problemas referentes à função do sinal aquando da celebração do contrato-promessa).
3. Pela quantidade de pessoas que hodiernamente prometem fidelidade ad eternum através do casamento, a monogamia, pelo menos entre as próximas gerações, tem tudo para vencer e vingar. Ou não. O problema da monogamia é a sua coercibilidade (ou falta dela): no âmbito matrimonial civil, o seu incumprimento só releva quando for conhecido e provado, o que nem sempre é possível. Nos restantes casos, restam imperativos kantianos frouxos ou a consciência pouco fiável de cada um para garantir a segurança e o sucesso do empreendimento, o que é o mesmo que contratar (gratuitamente, claro) escuteiros desarmados para vigiar os prisioneiros de Carandirú.
4. Mesmo que eu fosse contra a monogamia, nunca seria idiota ao ponto de o explicitar publicamente sob pena de nunca mais ter qualquer relacionamento na minha vida.
5. Também me quer parecer que os Calexico são contra a bigamia/poligamia. Simplesmente alertam para o facto de teoricamente ser possível sermos compatíveis com qualquer ser humano ao ponto de nos apaixonarmos em qualquer momento (o que daria uma óptima desculpa para o marido apanhado na cama com outra - "Mas querida, eu não tenho culpa de ter herdado do meu pai esta propensão extraordinária de ver o Amor em tudo o que se mexe... e que, uhm, tenha mamas"). Senão, repare-se na restante letra da música: "I won't forget/All the times I waited patiently for you/And you''ll do/Just what you're used to do/And I will be alone/Again tonight my dear." Ou então é só ressabianço.
6. Um mea culpa final: a canção citada, Alone again or, não é um original dos Calexico, grupo que eu muito admiro, mas sim o tema que abre o álbum "Forever Changes", de uma banda dos anos 60 chamada Love, "que é das poucas coisas verdadeiramente boas que a geração hippie produziu." Ficam as minhas desculpas pela minha ignorância cultural, os meus agradecimentos sinceros ao Francisco pelo reparo, e a promessa de um dia comprar ou gravar o referido álbum.