terça-feira, junho 14, 2005

Olhem que não, olhem que não...

Não sou hipócrita. Não posso ser. Para mim os mortos são dignos de respeito e apenas lamento o desaparecimento dos homens, enquanto tal, bem como a perda para a família e para os mais próximos. Em Portugal há esta tendência simpática do povo para tudo branquear e esquecer com a morte. Eu não penso assim.

Não posso vir para aqui prestar homenagens ou curvar-me perante memórias de homens cujos acólitos quiseram ver pessoas da minha família mortas ou quiseram roubar e tudo o que se conseguiu com esforço e trabalho de forma honesta. Sobretudo no fim-de-semana em que morreu um amigo, da mesma idade que eu, num estúpido acidente.

Não me deixa saudades o pesadelo do PREC ou tentativa de implantação de uma ditadura colectivista em Portugal. Não me deixa saudades um homem que tanto criticou as perseguições políticas do Estado Novo e fez da perseguição política o seu instrumento fundamental dentro do próprio aparelho do partido do qual foi figura charneira.

Álvaro Cunhal, tal como Vasco Gonçalves, foi um traidor à pátria. Espião da União Soviética durante praticamente toda a sua vida política não teria problemas em fazer do nosso país mais um satélite da URSS ou mesmo uma Cuba da Europa Ocidental. Isso não conseguiu entregar. Traidor duas vezes porque apoiou a venda de Angola e de Moçambique ao Império Comunista, sob a falsa capa de uma auto-determinação dos povos que mais não passava de um acto de venda em hasta pública do secular império português. Reconheço contudo que foram outros e não eles que lucraram com o negócio.

Paz aos mortos e à sua alma. Só não desejo nem digo de Cunhal e Gonçalves, aquilo que eles desejaram ao Prof. Salazar e ao Prof. Marcelo Caetano. Não lhes chamo cães raivosos nem tenho tanto ressentimento. Que descansem em paz e Deus tenha misericórdia das suas almas.



PS – Não posso deixar de sublinhar o excremento que são as declarações proferidas por José Casanova que considera que Vasco Gonçalves foi uma das figuras de proa de um dos momentos mais gloriosos da História de Portugal... Afonso Henriques, Descobrimentos, Restauração, o que é tudo isso comparado com PREC, não é camarada Casanova?