quarta-feira, junho 08, 2005

A Insustentável Leveza do Chá Verde, do Aloé Vera e do Ginseng

O chá verde é bom para tudo e todos!
Bem vistas as coisas, embora sempre correndo o risco associado às categorizações fáceis, todos os períodos da história mundial ficaram conhecidos, e acabaram por assim serem designados pelas gerações futuras, por referência a um aspecto determinante desse mesmo período, sejam esses aspectos políticos, económicos ou meramente sociológicos (tais como os loucos anos 60, a guerra fria, os grandes hits dos 80’s, and so on).

Pois bem, os ainda magros anos do Século XXI não são excepção e pode já ser observado um grande ícone da era pós-contemporânea e que se sobrepõe às dezenas de eventos inacreditáveis, e de bradar aos céus, a que temos assistido a nível global (a crise política portuguesa que levou à vitória esmagadora do Eng.º Sócrates nas últimas eleições, por exemplo, de tão inédita que foi, tornou-se num tema que move todo o planeta, sendo objecto de estudo em várias universidades e tendo até chegado a ser comentada, entre muitos outros meios de comunicação, num semanário do Panamá e em dois canais de televisão privados do Palau com a seguinte frase “between rotten fruit let the devil come and pick one”, que é como quem diz em português “entre fruta podre venha o diabo e escolha”).

Refiro-me, como não podia deixar de ser, ao fenómeno já conhecido como o “milagre da descoberta das três ervas asiáticas” – o chá verde, o aloé vera e o ginseng.

Na verdade, e sem muitos de nós darmos por isso, estas três substâncias estão a tomar conta das nossas vidas e não faltará muito até que os cientistas percebam e comprovem que de nada mais necessita o homem do que chá verde, aloé vera e ginseng (o pão e o vinho já passaram à história, assim com a bela da ganza nos festivais de Verão...). Senão veja-se: na sua primeira fase de implementação, surgiram as infusões curativas (fazem bem às cefaleias, problemas de estômago, circulação, rins, acalmam e relaxam, eliminam o tabaco do organismo, aumentam a resistência e a capacidade de concentração, funcionam como afrodisíaco, repõem os níveis mínimos de hidratação corporal, baixam a febre, previnem infecções, controlam a prisão de ventre e combatem os primeiros vestígios no organismo de miastenase gravis putrida, entre muitas outras propriedades que, por mero dever de patrocínio, mas sem conceder, aqui se deixam por elencar).

De seguida surgiram os sumos e iogurtes magros, simples ou misturando estes três sabores (com baixas calorias – entre 0 a 0,020 por cada 100 ml – mas com altos níveis de nutrientes – 100 ml substituem as proteínas, hidratos de carbono e fibras equivalentes a duas doses de rojões à moda do porto, de sardinha de escabeche ou de punheta de bacalhau).

Já na terceira fase de implementação, o milagre consubstanciou-se na aparição dos magníficos energising & power shower gel & shampoo e de uma panóplia de cremes faciais e corporais, repletos de autênticas propriedades reafirmantes, adelgaçantes, lipoaductoras e relaxantes para toda a família, assim como as novas fragrâncias e Eau de Parfum que subsistem na pele por mais de 30 horas e resistem a temperaturas superiores a 40º e a uma quantidade de transpiração igual ou superior a 20 dl por hora por cada 70 kg.

Mas as inovações não ficaram por aqui, pois a até a mulher típica portuguesa foi brindada com a fantástica era de milagre da descoberta das três ervas asiáticas com o novo Skip aloé vera com extractos de chá verde e ginseng, que tira todo o tipo de nódoas sem exaguar e sem necessidade de pré-lavagem!

Por último (e sem querendo enjeitar outros produtos que eu desconheça ou que venham a surgir a breve trecho), também a comunidade motor-tunning se pode dar por agraciada com a descoberta do milagre pois já temos à venda o detergente / cera para carros!

Aliás, os produtores de drogas na Colômbia estão já a desenvolver uma nova substância aditiva para juntar aos produtos compostos ou derivados das três ervas asiáticas, de modo a não perderem a sua posição no mercado dos narcóticos para as economias orientais, que se têm expandido à custa do chá verde e afins (quem já se manifestou contra a ingestão dos derivados do chá verde e afins foi o Papa Bento XVI perante um pedido da ala mais progressista do Vaticano em substituir a tradicional Hóstia nas Eucaristias, feita de Pão Ázimo, por uma bolachinha dietética de chá verde com estratos de ginseng...).

Perante esta investida e a consequente aceitação do público (4 em cada 2 pessoas worldwide já depende do chá verde & Cia. no seu quotidiano), podemos falar de uma nova Era que ficará marcada para todo o sempre, sem apelo nem agravo.