quarta-feira, abril 13, 2005

Money, Money, Money

Portugal conseguiu reduzir o número de fumadores desde 1996. Apresenta neste momento taxas de sucesso na prevenção do tabagismo só comparáveis às dos países nórdicos. Ora é claro que jornalista que é jornalista não pode deixar de fazer a típica análise brilhante que consiste em verificar o que é que se poderia ter feito ao dinheiro do tabaco.

Há sempre a clássica “Com 1 ano de cigarros podíamos ter feito uma viagem ao Brasil”. De facto espectacular! “10 Anos de tabaco davam para comprar um carro!”. Bem, mas como é que nunca ninguém pensou nisto. Está muito bem. Em vez de ser o Totta a financiar a aquisição do Renault Clio, a Phillipe Morris que o pague.

Mas porquê ficar por aqui??? Já viram o dinheiro que se consegue amealhar se não comprarmos mais comida? Gastamos cerca de 15 euros em alimentação por dia. Dá 1.000 continhos ao fim de um ano!! Em 10 anos, 10 mil contos. E ainda se poupa no ginásio...

E se, da mesma forma, não gastarmos em roupa? A poupança que ia para aí... Com o emagrecimento da medida anterior pode-se perfeitamente voltar a vestir aquelas calças que já não nos serviam há décadas, ou aquela t-shirt que fazia denotar barriga.

Tantas coisas em que se pode poupar... Pasta de dentes, café, sabonete, presentes de anos, jornais, esmolas.

Com os brilhantes jornalistas que temos na TVI, a dizerem-nos o caminho para o El Dorado, não percebo como é que ainda há tão pouca gente rica???

No fundo, a grande lição que estes génios partilharam connosco é que se não gastarmos dinheiro vamos ter dinheiro para fazer outras coisas!

Mas aí pergunto eu... Se comprarmos o tal Renault Clio ou a tal viagem ao Brasil não estaremos a derrogar o tal princípio da poupança?

Será que depois não vem uma reportagem dizer: Se tivesse poupado em 3 Clios podia ter comprado um BMW ou se tivesse poupado na Viagem ao Brasil e Fim-de-Semana em Albufeira podia ter ido a Bora-Bora???

E etc... Viagens à Volta do Mundo, à Lua, ao Centro da Terra. Onde pára este ciclo da poupança “para gastar em”, mas que depois é um desperdício porque podia-se poupar para..., mas afinal isso também é mal empregado, porque podia-se poupar para...?

Os nossos avós estariam certos quando metiam as notas debaixo do colchão?