sexta-feira, abril 01, 2005

A desvitalização e a galinha dos ovos de ouro

Não, não se trata de mais uma crítica ao estado das coisas e à pouca vida com que as pessoas andam neste país, nem pretendo apresentar soluções milagrosas para fazer face a estes problemas. Trata-se de uma questão muito mais pertinente.
Hoje fui desvitalizar mais um dente (já é o terceiro, nunca os meus pais terão imaginado que um pontapé que levei no maxilar aos 12 anos corroiria tanto esmalte na minha dentadura e tantos zeros na sua conta), e quando estava há mais de meia hora de boca aberta com um número infindável de objectos metálicos cujos nomes não sei nem nunca quis saber enfiados em todos os cantos imaginários da mesma, a luz que apontava directamente para os meus olhos tornou-se subitamente mais forte, o que me levou a crer que tinha sido inesperadamente objecto de algum tipo de Iluminação (que não a providenciada por uma irregularidade provocada por um funcionário da EDP). Descobri a galinha de ovos de ouro no âmbito de uma actividade que não tem absolutamente nada a ver com a minha.
Então é assim: se eu fosse dentista, ou se gerisse um consultório dedicado à medicina dentária, conseguiria extorquir ainda mais os meus pacientes do que aquilo que já foi absurdamente consagrado como prática normal, nomeadamente através dos seguintes métodos:
- fotografias tipo passaporte tiradas ao paciente quando este tivesse no auge da sua exposição ao ridículo, e.g. com fios de baba pendurados no queixo ou com os olhos esbugalhados de terror devido à proximidade de um objecto cortante, para efeitos de (i) aquisição por parte dos próprios ou seus familiares, do género aquelas que se compram à saída da Space Mountain na EuroDisney em que as pessoas acham piada à sua expressão aterrorizada; ou (ii) para efeitos de extorsão (especialmente adequado a figuras públicas ou gajas boas);
- ecrã plasma colado ao tecto para passar DVDs alugados pelos pacientes, a título facultativo, embora caso optassem por não alugar um filme, aplicar-se-ia supletivamente a repetição até à exaustão da cena em que Kate Winslet larga a mão de DiCaprio para este ir ser comido pelos peixinhos no filme Titanic ("Jaaack! Jaaaack!"). Eu juro que era dos que pagava para não ver/ouvir;
- merchandising, desde T-Shirs "I survived The Broca" até porta-chaves com um "smiley" desenhado nos sisos arrancados.

Aceitam-se ideias, mas aviso já que segunda-feira de manhã vou a correr para o INPI para patentear estas ideias, por isso podem tirar o cavalinho da chuva.

P.S. Obrigado a INF, LTN e GMM pelas palavras amáveis e por me permitirem participar no seu projecto. Espero que depois disto não se tenham arrependido.