quinta-feira, janeiro 20, 2005

Mulher Bonita..., Espelho de Cabrão

Prólogo

Se és homem feio arranja mulher feia, as possibilidades de sucesso são fortes. Se és homem bonito arranja mulher feia as possibilidades de êxito são garantidas. Se és homem bonito e arranjares mulher bonita as possibilidades são algumas e tens sempre para onde fugir. Se és homem feio e arranjares mulher bonita... Esquece!!!!!!

Parte I

Cocó e Canito


Cocó, Cristóvão Colaço de seu nome, cresceu sempre preocupado com as profundas questões da astrofísica e rodeado de uma vasta panóplia de cassetes que enfiava no ZX Spectrum, com o qual se entretinha nas noites de sexta-feira. Nunca podia jogar até muito tarde porque no dia seguinte de manhã, sábado, a professora Gracinda promovia um atelier do Clube do Azulejo, logo seguido do Clube da Europa, a que Cocó comparecia religiosamente. Cocó era aquele miúdo gordo de óculos a quem na escola chamamos o gordo da turma. Era bom aluno, mas na altura de dar uma joga de futebol com a malta, protestava sempre dizendo “Eu não sei jogar à bola!” enquanto se dirigia ao bar para comprar uma sandes de paio. Tinha um amigo chamado Fuinha, seu companheiro de longa data que mais tarde se tornaria homossexual e com quem fazia grandes tardadas a jogar “Dungeons an Dragons” e “Prince of Pérsia” no Verão. Como só se alimentou à base pão e fritos que a mãe lhe dava, Cocó era gordo que nem um texugo quando descobriu a sexualidade aos 17 anos, através da masturbação num canal do mIRC.
Marisa Canito era uma moça que nunca tinha tido grande sucesso com o sexo oposto na meninice tão pouco. A cara cheia de sardas, os óculos de fundo de garrafa e a racha no meio dos dentes para cuspir fininho não ajudavam nada! Era aquela simpática moça, com totós que levava os bilhetinhos para as gajas giras da turma, que saia à noite com as amigas e esperava nas escadinhas da Sé, que a amiga acabasse de curtir com o novo amigo.
Como chegasse a altura de ir para a faculdade Canito e Cocó entraram os dois em Informática no Politécnico de Alfândega da Fé. Logo entraram para a Tuna e aderiram aos jantares do caloiro. Lá fizeram as suas brincadeiras. Cocó corava quando as moçoilas da Guarda lhe passavam perto. Bem gostava de lhes passar a mão pelo pêlo, mas não tinha tripas para isso. Já Canito era bastante liberal e alinhava em tudo o que lhe solicitavam, mas a madrugadas eram sempre dolorosas para Marisa Canito. É que deitava-se com um rapaz e ele acordava de manhã e dizia “Céus, que canito que eu comi!” Ela ingénua acreditava que ele se recordava do nome. Só não percebia porque é que eles nunca mais telefonavam. Com tanta aventura Canito tornou-se voluptuosa, ou para ser mais rigoroso, gordurosa. Fartos de tanto insucesso juntaram os trapinhos. Repetiram muitas vezes sem saber porquê. “Ai amor” “Amo-te” “Ai amor” “Ai vamos casar” “Ou atão juntos” Vamos-se juntar”.
E vivem juntos até hoje. Mas podem casar. Numa cerimónia com muito primos vindos de França e da Venezuela, com música de baile e bebedeiras dos tios no fim. Podem casar. As possibilidades são escassas. Ou Cocó ou nada, Ou Canito ou nada. A felicidade encontrada.

Parte II

Lancelote e Canito

Eis que Lancelote está farto de telefonemas a meio da noite. Eis que Lancelote não quer mais aturar os amigos chatos dela. Eis que Lancelote está farto da sua namoradinha de corpinho moreno e olhos verdes. Eis que Lancelote não quer ir ao cineminha de segunda-feira. Eis que Lancelote já rebentou a carteira na Louis Vuitton e na Carolina Herrera. Eis que Lancelote já se fartou de estar preocupado com o facto de ela ter gostado ou não no fim da relação. Eis que Lancelote está farto de jogos de sedução. De saber quem é que diz primeiro eu amo-te e corre o risco de ficar sem resposta. Eis que Lancelote está farto de ficar por baixo.

Eis que Lancelote decide acabar tudo e iniciar uma relação com uma Canito. Mara Canito. Com uma Canito não há problema. Pode-lhe dar um par de tabefes que ela gosta e ainda pede desculpa por ter esturricado o jantar. Pode chegar às horas que quiser e convidar os amigos que quiser lá para casa. Pode cagar na família dela. Pode jogar póquer e king todos os sábados. Pode mentir e dar desculpas esfarrapadas e sabe que tem uma burra a lamber-lhe o ego. Quando quiser meninas bonitas é muito simples pensa ele “Vou ás putas”.

Parte III

Lancelote e Cicarelli

Esta parte é tão fútil e desinteressante que não tenho paciência para a escrever.

Parte IV

Cocó e Cicarelli.

Cicarelli, podia ter qualquer homem, e teve. Mas porque é que “ele é tão cafageste com você Daniela?”. Chega de falta de sentimentos depois do sexo pensou muitas vezes. Chega de não dizer “txi amo”. Chega de não assumir um compromisso sério. Vou dar um ultimato a Lancelote. Ou você casa comigo ou não tem mais nada entre a gente. Lancelote não se decidiu. Cicarelli lhe disse. “Pois bem vou casar com o primeiro pobre diabo que aparecer na minha frente”. E qual não foi a sorte de Cocó era ele que estava passando naquela altura no restaurante. Assim Cicarelli cumpria um outro objectivo emancipativo e chateava a sua família porreta de rica. Daniela era decoradora de interiores e era cheia de grana. Casar com Cocó foi uma fuga ao pré-estabelecido e ao socialmente correcto. Cocó era um peão neste tabuleiro, mas satisfeito da vida achou que lhe tinha saído a sorte grande. Casaram numa cerimónia civil, muito romântica na praia de Carcavelos. Os tempos passaram e a preenchida agenda de Cicarelli obrigava-a a viajar muito com o Danny, com o Gianni, com o Tony e com outros elementos. Tudo isto levava a que Cicerrelli tivesse muita dor de cabeça na hora de fazer amor. Um tempo depois Cicarelli ficou grávida. Sempre sonhou ter um filho. Mas a grande questão é: SERÁ QUE É MEU? CABRA...